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O melhor de Grace Jones em dez canções (5)

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Passam em 2017 quarenta anos sobre o momento em que chegou aos escaparates das discotecas o primeiro álbum de Grace Jones. Aqui recordamos dez canções que passam por quatro décadas vividas entre discos e hiatos.

De origem jamaicana e com vida feita nos EUA desde a adolescência, Grace Jones era já uma modelo de sucesso quando, em finais dos anos 70, apostou na construção de uma carreira na música em paralelo às passerelles e estúdios de fotografia. Na companhia do produtor Tom Moulton registou três álbuns em finais dos setentas, explorando os universos do disco sound e arredores em três álbums e uma mão-cheia de singles que lançou entre 1977 e 79.

Mas em 1980 Chris Blackwell tomou rédeas da condução dos destinos musicais de Grace Jones. Levou-a aos estúdios Compass Point, nas Bahamas, juntou-se a Alex Sadkin para formar a dupla de produção e chamou vários músicos, entre os quais Sly Dunbar e Robbie Shakespeare (uma das maiores secções rítmicas made in Jamaica, com obra assinada como Sly & Robbie). Juntos criaram Warm Leatherette em 1980, lançando bases para um momento maior que nasceria um ano depois, surgindo então uma sucessão de discos que a fez figura de referência num espaço de diálogo entre a canção e a música de dança.

Recordemos então dez canções que ajudam a contar a história do seu percurso:

“Love is the Drug” (1980)
Um dos temas de maior destaque no alinhamento do álbum através do qual Grace Jones encetava a mudança de rumos que a conduziu aos momentos mais inspirados e consequentes da sua carreira na música era uma versão para um original dos Roxy Music. Editado como single em 1980, Love is the Drug ficou aquém das expectativas. Esta versão seria contudo remisturada e reeditada por ocasião da apresentação da antologia Island Life, conhecendo finalmente outro impacte. O teledisco que a acompanha serve-se desta remistura como banda sonora.

“Pull Up to the Bumper” (1981)
Inicialmente trabalhara nas sessões que viram nascer o álbum Warm Leatherette, este tema acabou afastado do alinhamento final por destoar dos caminhos que a música ali tomara. Acabou contudo por conhecer nova abordagem e surgiu em Nightclubbing, tendo sido escolhido como o terceiro single extraído deste álbum. A canção teria nova vida quatro anos depois quando, por ocasião da promoção da antologia Island Life, foi novamente editada em single, acompanhada então por diversas misturas. O teledisco original inclui imagens de Koyaanisqatsi, filme de Godfrey Reggio.

“I’ve Seen That Face Before (Libertango)” (1981)
A partir de Libertango, composição de 1974 de Astor Piazolla, juntando temperos jamaicanos (nomeadamente o dub) e uma abordagem lírica assinada pela própria Grace Jones e por Barry Reynolds (frequente colaborador de Marianne Faithfull), nasceu um dos momentos mais marcantes do alinhamento do álbum Nightclubbing, reforçando as pontes entre ecos clássicos (e europeus) e as novas paisagens que faziam a reinvenção da música de Grace Jones na aurora dos oitentas. É um dos seus mais belos singles.

“Slave To The Rhythm” (1985)
Canção icónica e um dos momentos maiores da obra se Grace Jones, resultou de uma breve associação ao produtor Trevor Horn e ao universo da ZTT Records. O single foi acompanhado então por um teledisco que revisitava algumas imagens da sua obra na música, na fotografia e na publicidade. O álbum, com o mesmo título, apresentava uma série de abordagens à mesma canção através de pontos de vista distintos.

“Corporate Cannibal” (2008)
Após um silêncio nos discos que durou 19 anos, em 2008 Grace Jones regressou com o álbum Hurricane. O disco foi antecipado pelo single Corporate Cannibal, canção dominada por eletrónicas num tom bem distinto do que até então tínhamos escutado na obra de Grace Jones, ao mesmo tempo sublinhando a letra um caráter político evidente, abordando o capitalismo numa perspetiva crítica. O tema foi apresentado com um teledisco desafiante, criado pelo fotógrafo Nick Hooker.

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