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Os dez melhores singles de Prince (nº 7)

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

No dia em que assinalamos a passagem de um ano sobre o desaparecimento de Prince iniciamos uma contagem, de dez singles que permitem evocar memórias maiores da sua discografia.

Não é fácil escolher dez singles de Prince. Não pelo facto de a sua discografia oficial apresentar mais de cem títulos nessa categoria. Mas porque, e sobretudo nos anos 80, e sobretudo entre 1982 e 1987, quase todos os seus singles caberiam num top 10… Por isso foi preciso aqui juntar ao gosto uma necessidade de assegurar a representação de canções de álbuns diferentes (mesmo podendo haver um com mais do que um single… a ver vamos)…

Estes são dez singles de referência numa lista que é naturalmente definida pelo gosto de quem a faz. Mas que, como todo este tipo de listas, nunca é definitiva (amanhã seria diferente)… É assim que funciona a nossa relação com o gosto. E ainda bem…

7. “Controversy” (1981)
Na alvorada dos anos 80 Prince sentiu um cada vez maior interesse em levar a sua música para além dos espaços do funk e dos demais universos de genética R&B em que iniciara o seu percurso. E se Dirty Mind já havia revelado sinais evidentes de um interesse pelos ecos da new wave, os trabalhos em curso rumo ao quarto álbum juntariam a uma nova expressão dessa mesma curiosidade uma vontade em aprofundar o trabalho com os sintetizadores. O álbum que editou em outubro de 1981, é na verdade mais um disco de transição do que um momento de chegada a um destino desejado, preparando contudo o terreno para o salto que chegaria, um ano depois, em 1999. Tal como o fora a canção que dava título a Dirty Mind, Controversy era mais uma incursão transformadora sobre o funk, refletindo um cada vez mais profundo papel das teclas na construção de uma identidade que fazia já então de Prince uma voz única. A canção vive liricamente de uma série de olhares que questionam a identidade do próprio Prince, deixando sem resposta as dúvidas que a sua música, imagem e presença levantam em relação à sexualidade ou religião.

8. “1999” (1982)
Tal como já sucedera antes, da insatisfação de Prince perante o que viveu em palco durante a digressão que acompanhou o lançamento de Controversy (1981) surgiu uma vontade em renovar o grupo de músicos com quem poderia dar vida a novas canções. Estas, contudo, nasceram uma vez mais de um trabalho solitário feito durante meses a fio, entre a primavera e o verão de 1982, no estúdio que tinha montado na cave da sua casa. Uma das principais marcas distintivas das novas canções era a presença bem mais evidente de uma caixa de ritmos que, usada pontualmente no álbum de 1981, se tornava numa das vozes mais marcantes das estruturas de percussão, conferindo-lhes uma alma sintética, mas intensa, que vincava mais ainda o interesse pela exploração de novas máquinas e novos sons que desde Dirty Mind vinham a ganhar protagonismo na sua música. Faltava, como em Dirty Mind e Controversy, uma canção que pudesse traduzir a alma de todo o disco, como se fosse o seu cartão de visita. Chegado a casa, e em apenas um dia, compôs e gravou o tema sugerido. Chamou-lhe 1999. E esse acabaria por ser também o título do álbum (e do primeiro single a dele ser extraído).

9. “Black Sweat” (2006)
Depois de ter editado três álbuns em 2004 (se bem que dois deles apenas em suportes digitais e reunindo algumas canções já com algum tempo de vida), Prince passou o ano de 2005 um tanto afastado das atenções, dedicando algum dos seu tempo à criação de um disco de uma nova protegida, Támar Davis. O silêncio era contudo aparente e, em dezembro de 2005 convocou uma conferência de imprensa na qual anunciou a edição de um novo álbum de estúdio, assim como um acordo com uma nova multinacional (a Universal) pela qual o disco teria distribuição. O álbum, que chegaria na primavera de 2006 com o título 3121, sublinhou o bom momento entretanto sugerido em 2004 pelo impacte de Musicology (de 2004). O disco guardava no alinhamento aquele que é talvez o melhor single de Prince posterior à sua fase de maiores sucessos nos oitentas e alvorada dos noventas. Canção que recorda o Prince mais minimalista da segunda metade dos oitentas, Black Sweat doseia elementos funk e electro e, se editada noutros tempos, teria sido mais um clássico de impacte global.

10. “Batdance” (1989)
Tim Burton estava, em finais dos anos 80, a preparar um regresso da figura de Batman ao grande ecrã e tinha já usado duas canções antigas de Prince para algumas das primeiras sequências filmadas. Gostou tanto do efeito que lançou o desafio: poderia Prince compor alguma música para o filme? Antigo admirador de Batman nos seus dias de infância, Prince rumou aos estúdios Pinewood onde a rodagem decorria. Gostou dos cenários que ali viu. E, mais ainda, de algumas cenas já montadas que então lhe foram mostradas… Aceitou o desafio. Na verdade Tim Burton tinha a intenção de não fazer de Prince o único músico convidado a trabalhar no filme. Mas, entusiasmado, Prince apresentou em pouco tempo um álbum inteiro de novas canções. Batdance, que foi o single de apresentação do álbum com essas canções, mostrava uma peça de extensão invulgarmente longa, pensada em várias partes, como que traduzindo, embora com a figura de Batman na berlinda, uma síntese de muitas das experiências e conquistas realizadas ao longo da década cujo final se aproximava.

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