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Dez canções nos 75 anos de Paul McCartney (4)

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

No dia em que se assinala o 75º aniversário de Paul McCartney iniciamos a apresentação de uma lista de dez grandes canções da sua obra pós-Beatles…

Vamos dispensar os adjetivos e os elogios mais-do-mesmo, OK? Chama-se Paul McCartney. Foi um dos fab four. E o primeiro a tornar pública a sua saúda dos Beatles, anunciando em 1970 a estreia de uma nova etapa que faz da sua discografia a mais vasta e diversificada dos quatro antigos elementos da banda.

Numa altura em que se assinalam os 75 anos sobre o nascimento de Paul McCartney vamos aqui recordar dez canções da sua carreira pós-Beatles. As escolhas como sempre são pessoais… E, como manda o significado da palavra, naturalmente subjetivas.

“Jenny Wren”
(2005)

Um dos melhores discos de estúdio que Paul McCartney editou depois da virahem do século teve por título Chaos and Creation in the Backyard e contou na produção com uma figura de referência do universo pop/rock de então: Nigel Godrich, que ganhara visibilidade no trabalho com os Radiohead e, entretanto, começara a trabalhar com Beck, os Divine Comedy e Air. O disco representou na verdade o primeiro no qual McCartney não assumia a produção desde os tempos de Give My Regards To Broad Street, assim como fazia parelha com o que sucedera nos clássicos McCartney (1970) e McCartney II (1980) no facto de todos os instrumentos serem por ele tocados. Depois de ter escolhido o mais pungente Fine Line como single de apresençação, coube ao acústico Jenny Wren (com título inspirado na personagem de Dickens) ser o segundo single extraído deste álbum, mostrando uma vez mais a incrível solidez das aparentemente mais frágeis e simples canções de Paul McCartney.

“Uncle Albert”/ “Admiral Halsey”
(1971)

O álbum de estreia a solo de Paul McCartney não gerara quaisquer singles. A sua estreia a solo no formato a 45 rotações fez-se na verdade já em 1971 com Another Day, tema criado durante as sessões que geraram aquele que seria o seu segundo álbum. Editado ainda nesse mesmo ano Ram foi contudo assinado em parceria entre Paul e Linda McCartney e revelou um dos títulos mais marcantes de toda a sua discografia pós-Beatles. O single de apresentação do álbum foi coisa gourmet. No lado A surgia Uncle Albert / Admiral Halsey, uma composição feita da junção de fragmentos que lembra formatos e técnicas recentemente usadas no álbum Abbey Road. Há, de resto, grandes afinidades entre esta canção e essas derradeiras gravações dos fab four. No lado B o mesmo single incluía o tema Too Many People, outro dos momentos maiores do alinhamento de Ram.

“Temporary Secretary”
(1980)

Depois de iniciado um novo caminho a solo em 1970 com um primeiro álbum a solo, Paul McCartney deu continuidade à sua vida pós-Beatles com um disco assinado em parceria com Linda, a sua mulher, antes de viver o resto dos setentas a bordo de uma nova banda: os Wings. Em 1980 regressou aos discos em nome próprio apresentando-se com McCartney II, um álbum desafiante, atento a novas tendências e possibilidades instrumentais. Temporary Secretary foi o terceiro single extraído do alinhamento deste disco e resultou num estrondoso flop. A canção, um mimo experimental de pop eletrónica – que precede primeiros êxitos maiores dos Human League ou Soft Cell – revela um sentido de desafio que muitas vezes não é reconhecido na obra de McCartney mas que, na verdade, anda por lá… Que o diga esta canção que, com o tempo, se transformou num clássico de culto e, recentemente, regressou aos alinhamentos dos concertos do músico. Em 1980 Temporary Secretary surgiu apenas num formato de máxi-single e sem teledisco.

“Take it Away”
(1982)

Em 1981 McCartney regressa a estúdio para, com George Martin dar fôlego à criação de um novo disco. Tug of War, que seria editado em abril de 1982, não esconde as heranças mais clássicas de McCartney e revela, numa espantosa coleção de canções pop, um dos momentos mais inspirados da sua carreira a solo. O alinhamento é uma experiência de horizontes abertos tanto à herança da grande balada orquestrada (numa linha que vem do tempo dos Beatles) como à tradição de uma escrita mais teatral, como não fecha a porta à curiosidade pelas electrónicas ou a contaminações mais recentes como o funk. O disco gerou três singles na mouche com Tug of War, Ebony and Ivory (um dueto com Stevie Wonder) e Take it Away. No teledisco que acompanhou este último o ator John Hurt interpretava a figura de um empresário, um pouco ao jeito de um homem educado e elegante como o era Brian Epstein.

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1 Comment on Dez canções nos 75 anos de Paul McCartney (4)

  1. Mas que grata surpresa. Quem diria que o McCartney também podia ser “vanguardista” em plenos 80’s. Boa dica!

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  1. Dez canções nos 75 anos de Paul McCartney (1) — Máquina de Escrever – escreversonhar

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