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Os dez melhores singles dos Japan (8)

Seleção e textos: NUNO GALOPIM

Com apenas uma mão-cheia de álbuns e uma breve temporada de sucesso ‘mainstream’ os Japan conseguiram escrever alguns dos mais marcantes episódios que a canção pop conheceu na reta final dos anos 70 e, sobretudo, na aurora dos 80. 40 anos depois da sua estreia em disco, recordemo-los, em dez singles.

A sua carreira em disco começou há precisamente 40 anos com Adolescent Sex e Obscure Alternatives, álbuns editados em 1978 mais próximos de um repensar de ideários glam do que do clima pós-punk que então se vivia. Em 1979, depois de uma experiência disco com Giorgio Moroder em Life In Tokyo, encontraram o seu caminho em Quiet Life (editado na reta final de 1979), onde sugeriram uma nova visão pop mais sofisticada, herdeira da face arty de uns Roxy Music, abrindo ainda espaço à presença das novas electrónicas (cortesia de Richard Barbieri), somando a tudo a presença única do baixo de Mick Karn, o sentido rítmico desenhado por Steve Jansen e a voz sóbria e delicada de David Sylvian. Na altura tinham ainda a bordo a presença fixa de um guitarrista. Em 1980 aprofundaram ideias em Gentlemen Take Polaroids, acabando por vezes algo erroneamente associados (mais por afinidade com o contexto do que outra coisa) com o emergente movimento neo romântico.

Foi contudo em 1981, com Tin Drum, que os Japan registaram uma visão pop decisivamente mais sua e ímpar. O álbum, que expressa uma pop depurada quer de marcas de época quer de constrangimentos de género (musical) e de geografia (aceitando, de resto, a assimilação de ecos orientais) é uma das maiores obras-primas da música popular. Deu-lhes inesperado sucesso com o qual conviveram dificilmente, a ele sucedendo-se na discografia apenas um disco ao vivo que assinalou o momento da despedida.

Quarenta anos depois, recordemos uma das mais incríveis bandas de sempre, através de dez singles.

8. “The Art of Parties” (1981)
Foi em Novembro de 1981 que os Japan editaram aquela que foi a sua obra-prima. Chamaram-lhe Tin Drum e, sem que então o imaginassem, o disco acabaria por ser o seu derradeiro álbum de originais. The Art Of Parties foi o primeiro single extraído do alinhamento do álbum, vincando o aprofundar da relação do grupo com um trabalho mais elaborado no desenho da estrutura rítmica (piscando o olho, de forma ousada a heranças funk) e mais anguloso e exigente na produção, segundo um caminho evolutivo já sugerido no anterior Gentlemen Take Polaroids. O single, contudo, não revelava algumas das características mais marcantes do álbum que chegaria a seguir. Bem escolhido, portanto.

9. “Canton (Live)” (1983)
A sabática que os Japan resolveram fazer em 1982 acabou por se transformar num inesperado fim, com a última presença em palco do grupo a ganhar forma em dezembro desse mesmo ano, em palco, no Japão. A assinalar o ponto final a Virgin decidiu usar as gravações dos concertos que, pouco antes, em novembro, o grupo tinha apresentado no Hammersmith Odeon, em Londres, e nos quais a elegância e subtileza definida pelos dois mais recentes álbuns estava claramente patente na sua transposição para o palco. Ao disco, um álbum duplo, chamaram Oil on Canvas, o título traduzindo a força da presença de uma pintura de Frank Auerbach na capa. Dele foi extraído apenas um single, com as versões ao vivo do instrumental Canton e de Visions of China.

10. “Life In Tokyo” (1979)
Depois de dois primeiros álbuns em 1978, nascidos de um confronto não completamente resolvido entre heranças glam rock e um tempo de manifestações pós-punk, os Japan eram ainda uma banda de rumo ainda indefinido. O grupo, atento ao presente, procurou novo rumo numa aproximação às emergentes electrónicas e chamou a estúdio a presença de Giorgio Moroder como co-autor e produtor do single Life In Toyo, um trunfo certamente saboreado pela editora Hansa enquanto se preparava a edição que, se esperava, pudesse transformar a banda num fenómeno do seu tempo. Contudo, o single foi um redondo fracasso nas vendas e até mesmo na rádio, e a ideia de avançar para um álbum inteiro sob a orientação de Giorgio Moroder caiu por terra. David Sylvian agradeceu, certamente, o afastamento de uma força criativa alheia aos Japan. Mas a verdade é que a importação de novas sonoridades eletrónicas através desta colaboração com Moroder abriu novos desafios e acabou por gerar descendência na própria obra do grupo, visível logo no álbum de 1980 Quiet Life.

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