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1970. Uma casa arrumada em tempo de convulsões para os Fleetwood Mac

Texto: NUNO GALOPIM

Editado em setembro de 1970 o quarto álbum de estúdio dos Fleetwood Mac corresponde ao seu primeiro disco sem Peter Green e representa igualmente a chegada de Christine McVey. É um disco de abertura de horizontes que assinala mais uma etapa de surpresa na história sempre mutante da música do grupo.

Depois de um par de álbuns que ajudaram a definir a identidade dos blues em solo britânico em finais dos anos 60, os Fleetwood Mac tinham apresentado em “Then Play On” sinais de confirmação de que os desafios e experiências que haviam começado a apresentar nas edições em single eram ecos de mutações maiores que se aproximavam. E se na música os sinais de mudança eram já evidentes em algumas das canções desse álbum de 1969, no plano da vida pessoal dos músicos as convulsões revelaram-se ainda mais profundas e com efeitos de impacte mais definitivo… A vontade em criar um álbum de temática religiosa, lançado por Peter Green e sob a aprovação de Jeremy Spencer, não foi acolhida com entusiasmo pela banda. O desconforto, amplificado por um choque pessoal com o seu modo de vida e o desejo em fazer um dia a dia mais despojado (o guitarrista chegou a doar o que tinha ganho a obras de cariz social) acabaria por levar Peter Green a afastar-se dos Fleetwood Mac não chegando por isso a colaborar na gravação de um novo álbum que ficou por conta de uma formação reduzida a quatro elementos, contando contudo com a colaboração de Christine McVie, então a viver dias felizes junto de Mick Fleetwood, e que aqui se estreia a cantar nos coros e a tocar teclados (embora aí sem ser creditada), assinando também o desenho que vemos na capa do disco.

Se os sinais de mudança eram sugestões já com boas ideias a bordo no álbum de 1969, neste novo disco, a que chamaram “Klin House”, a diversidade de referências e caminhos é amplificada a um patamar até então não experimentado pelos Fleetwood Mac. Há ainda ecos dos blues numa versão de “Hi Ho Silver” (original de Big Joe Turner). Há ensaios em terreno rock’n’roll em canções assinada as em conjunto como “Jewel Eyed Judy” ou, por Kirwan, em “Tell Me All The THe Things You Do”. Em “Buddy’s Song” (de Ella Honey) piscam o olhar a memórias de um tempo, em finais dos anos 50, em que a canção pop refletiu, com cautelas, contaminações do emergente rock’n’roll. Pelas mãos de Spencer chegam sinais de curiosidade maior pelos terrenos da folk e, sobretudo, da música country (como se escuta em “One Together”). E vale ainda a pena ter em conta o instrumental “Earl Grey” (de Kirwan) que assinala a continuidade face a experiências que o grupo vinha a fazer desde o single “Albatross”, de 1968.

Criado num tempo em que o grupo de muda para uma comunidade e ali partilha o dia a dia, “Klin House” é, contudo, a expressão de uma época de agitação interna maior, que culminaria com uma segunda saída: a de Jeremy Spencer, que assegurara a voz principal depois da partida de Peter Green. Mas às más tempestades seguem-se bonanças… E neste caso, já depois de terminado o disco, foi Christine McVey quem passou a integrar oficialmente a formação dos Fleetwood Mac… E com ela novos desafios chegariam à história, sempre mutante, do som da banda.

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