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Morreu Mark Hollis, a voz dos Talk Talk

Texto: NUNO GALOPIM

Através dos Talk Talk, banda da qual foi vocalista, Mark Hollis viveu uma carreira que soube evitar as armadilhas do sucesso, criando uma obra que sempre optou pela exploração de novos desafios a cada novo disco.

Nascido em 1955, Mark Hollis ganhou um lugar na história da música pop pelo seu trabalho como vocalista e compositor nos Talk Talk, banda que podia ser uma espécie de adaptação à música popular britânica dos oitentas do conceito que Michelle (a da Resistência – sim, da série Alô Alô) inscreveu na cultura pop: “listen very carefully, I shall say this only once”… Da banda animada pela luminosidade new wave (houve até quem lhes chamasse new romantics) que nos deu o belo “The Party’s Over” em 1982 ao evidente mergulho numa identidade que transcendeu as fronteiras da canção pop para ensaiar flirts com outras formas (de longe vislumbrando-se até algumas liberdades jazzísticas) por alturas de “Spirit of Eden” (1988), os Talk Talk protagonizaram uma carreira absolutamente ímpar, em muito abençoada pela visão (e personalidade) do vocalista Mark Hollis, mas igualmente marcada pela colaboração (a partir de 1984) do produtor Tim Friese-Green. Pelo caminho houve um monumento à canção pop em “It’s My Life” (1984) ou um exercício de fuga aos modelos de produção e estéticas dominantes da época em “The Colour Of Spring” (1986).

Cada disco foi diferente, apenas “Laughing Stock” (o seu canto do cisne, em 1991) revelando proximidades formais com o imediatamente anterior “Spirit of Eden”, embora tendo aprofundado a exploração dos caminhos que este já abordara, com maior volume de instrumentos presentes e focando temáticas do foro místico (e, como curiosidade, tendo sido editado pelo selo da Verve, etiqueta com história maior feita em solo jazzístico). Cinco álbuns de estúdio ficaram como registo desse percurso discograficamente ativo entre 1982 e 91, uma multidão de antologias e reedições tendo desde então assegurado novas chamadas de atenção a uma música que entretanto do grupo fez um dos mais notáveis casos de culto nascidos no seu tempo.

Depois do fim da vida dos Talk Talk Mark Hollis ainda editou um álbum a solo – “Mark Hollis”, lançado em 1998 – antes de se retirar para uma vida no campo, entre a família. Anos mais tarde regressou a Londres para devolver os filhos a um espaço mais cosmopolita, mas salvo pontuais trabalhos de composição ou colaboração, pouco mais dele se ouviu falar. O seu percurso, de resto, é muitas vezes referido como exemplo de alguém que, depois de uma obra marcante na música, acabou por optar por viver publicamente nas periferias do silêncio.

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