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Sonhos pop do outro lado do mundo

Texto: NUNO GALOPIM

Apresentam-se com nome de banda apesar de serem sobretudo a expressão das ideias do seu vocalista e compositor. Chamam-se Methyl Ethel, são australianos, e apresentam uma proposta indie pop que cruza referências de várias épocas e foge aos modelos que dominam a oferta ‘mainstream’ atual.

Apesar da concentração de formas, sons e, sobretudo, abordagens de produção, em parte da pop que atualmente chega aos patamares da comunicação mainstream, continua a ser vasto e entusiasmante o campo de possibilidades que se colocam a quem, em terreno pop, quer hoje fazer canções. Nomes como os de Baio, Roosevelt, Dave Depper ou C Duncan são casos a enumerar em espaços periféricos dos universos mais mediatizados da pop atual. No fundo falamos de um terreno sem fronteiras nem latitudes no qual podemos contar com o percurso dos Methyl Ethel, banda australiana (da região de Perth) que começou a cativar atenções com um álbum de estreia lançado em 2015 e que agora acaba de lançar “Triage”, disco que completa um ciclo de três discos mostrando o seu melhor conjunto de canções até aqui, bem como a mais estimulante proposta de abordagem estética que tanto concilia sabores pop de tempos mais distantes com ecos de memórias dos oitentas. E que se apresenta em disco entre o distinto catálogo da 4AD…

Apesar de se apresentarem em grupo quando chegam à estrada, os Methyl Ethel parecem ser, cada vez mais, um projeto a solo do vocalista Jake Webb na etapa em que as canções ganham forma em estúdio. Foi ele quem criou, gravou e produziu este novo ciclo que dilui de forma mais desafiante um encantamento pelas heranças do psicadelismo que antes já animava as canções, mas que agora convive com uma presença bem mais evidente quer da secção rítmica quer de memórias dos sons dos sintetizadores dos oitentas.

Estas mudanças não implicam, contudo, que as canções sejam fruto de uma febre de nostalgia nem a mais clara identidade pop que transportam travou o gosto por formas complexas e desafiantes. A voz aguda de Jake Webb é uma presença já familiar num conjunto de canções que cativam sobretudo pelo trabalho elaborado de texturas, acontecimentos e sons, que cruzam melancolia e luminosidade, que cruzam elementos mais clássicos com sabores digitais, que confundem os códigos de referências temporais em jogo. “Triage” apresenta uma pop saborosa, capaz de lançar o prazer da descoberta e, ao mesmo tempo, conter em si ocasionais sugestões de familiaridade. Uma boa surpresa… Ainda há sonhos pop, pois claro!

“Triage”, dos Methyl Ethel, está disponível em LP, CD e nas plataformas digitais numa edição da 4AD ★★★★


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