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Os dez melhores singles de Beck (nº 4)

Filho de um maestro e arranjador canadiano (que acabaria por colaborar com o filho) e de uma artista que vivera os seus dias de maior glória entre a Factory de Andy Warhol, Beck é hoje já um veterano reconhecido como uma das maiores revelações da música norte-americana dos anos 90.

Deu os primeiros passos em terrenos folk, tanto em Los Angeles (onde nasceu, em 1970), como em Nova Iorque, onde passou uma temporada na qual frequentou a cena anti-folk do Lower East Side. Cansado de uma vida no limar do precário acabou por regressar a Los Angeles encontrando um trabalho de dia num clube de vídeo, atuando de noite em pequenos clubes e cafés.

Começou a gravar canções, passando-as em cassetes a quem as queria ouvir. Até que cativou a atenção de um “olheiro” de novos talentos na BMG, numa altura em que a convivência com outras músicas – sobretudo ligadas à cultura hip hop – começavam a ser assimiladas na sua composição… “Mellow Gold”, em 1984, fez história e teve em “Loser” um cartão de apresentação global. Mas a história não acaba aí… De resto, continua bem viva. Pelo que vamos aqui lembrar dez episódios deste percurso.

4. “Loser” (1994)

Não foi o primeiro single de Beck. Antes, em 1993, tinha havido já um single partilhado com os Bean, no qual Beck participava com duas canções, uma delas “MTV Makes Me Want to Smoke Crack”… Mas é em 1994, com “Loser” (que então apresentava o álbum “Mellow Gold”) que o nome do músico entra em cena e cativa atenções. O cantor com um berço que podemos localizar na cena anti-folk juntava agora elementos apreendidos entre a cultura hip hop (das batidas aos samples) para sugerir um novo modelo de canção… pop. Na verdade “Loser” não é um sucesso imediato. O lançamento original, numa idependente, passou longe das atenções, valendo à canção (e a Beck) o estardalhaço que nasceu quando, pouco depois, o single tem nova versão depois de assinado um acordo com a Geffen.

5. “Devil’s Haircut” (1996)

Depois de “Where It’s At”, que tinha assegurado a apresentação do álbum “Odelay” coube ao single seguinte, “Devil’s Haircut”, cimentar a comunicação de um momento em que vários mundos e tempos ali se juntavam para construir uma nova visão para a canção pop. Por um lado havia ali uma evidente assimilação de elementos colhidos no hip hop. Por outro toda uma carga de memórias que chegavam através de samples (neste caso de gravações de nomes como os Them ou do baterista Pretty Purdie). O single foi acompanhado por um teledisco de Mark Romanek que mostrava Beck pelas ruas de Nova Iorque com uma boombox. O dispositivo sugere que, na verdade, o músico foi seguido por câmaras pela cidade como se ele mesmo não desse por isso.

6 “Guettochip Malfuncion (Hell Yes)”

Como disco-companheiro do álbum “Guero”, de 2005, Beck lançou um disco com remisturas desse disco no qual o músico se reaproximava de uma linguagem pop contemporânea, cruzada com a cultura urbana do momento, que antes havia visitado em “Odelay”. Se por um lado a presença de uma ideia de mestiçagem fronteiriça, relevando a força cultural de uma ligação à proximidade do México, é um dos valores de “Guero”, por outro a exploração de novas formas e possibilidades para a canção são sublinhadas em “Guerolito”, o disco de remisturas que chegou mesmo a gerar este single.

7. “Tropicalia” (1998)

E agora algo completamente diferente. Se a aclamação popular e o reconhecimento críotico de Beck tinham chegado com discos que haviam explorado terrenos para lá das cercas “indie”, assimilando sobretudo elementos na cultura hip hop, então para criar o sucessor de “Odelay” o músico resolveu partir para um terreno bem diferente, tomando de resto uma opção por mudanças de rumo que seriam frequentes ao longo de toda a sua discografia. Criado com a presença do produtor Nigel Godrich em estúdio “Mutations” tanto teria momentos de mutação que tanto iam da exploração da possibilidade de usar arranjos para cordas (caminho que Beck visitaria várias vezes depois) à evocação de memórias da muita música brasileira que escutara desde pequeno. E foi precisamente deste espaço que brotou a inspiração para “Tropicalia”, tema escolhido para ser o single de apresentação do álbum.

8. “The New Pollution” (1997)

Os prémios que o álbum “Odelay” (editado em 1996) obteve na noite de entrega dos Grammys em 1997 serviu de confirmação clara do atingir de um estatuto de reconhecimento a Beck que o fazia transcender do espaço de admiração mais próximo dos nichos alternativos que pouco antes o vira entrar em cena. O seu estatuto refletia ainda a chegara a um patamar de visibilidade maior de uma geração que assimilava ecos de várias culturas (da folk ou de memórias da pop ao hip hop) e começava a apontar ideias ao que seria o som do século XXI… Ao estar no foco das atenções Beck viu cinco temas de “Odelay” a chegar a single, tendo este sido o terceiro desse lote. Surgiu em fevereiro de 1997 e traduzia sinais de uma incursão de Beck por ecos da pop dos anos 60, piscando de certa forma o olho ao legado de Serge Gainsbourg.

9. “Gamma Ray” (2008)

Apesar da presença maior de algumas esferas de referência – que vão dos universos da folk a vários domínios da música negra norte-americana – a obra de Beck sempre mostrou interesse em assinar aventuras por outros domínios e fontes de entusiasmo. E coube a “Modern Guilt”, álbum de 2008 que assinalou o capítulo final de um antigo acordo com a editora com a qual ganhara notoriedade desde meados dos anos 90, representar o momento no qual focou atenções em memórias pop/rock dos anos 60 e, em particular, ecos dos tempos do psicadelismo, para assinalar mais uma mão-cheia de experiências onde se cruzam tempos e o novo tem sabor a clássico. Criado em colaboração com Danger Mouse, o disco teve neste “Gamma Ray” o seu momento de maior mediatismo.

10. “E-Pro” (2005)

Depois de uma série de experiências e desafios, que passaram por espaços de flirt com o funk (em “Midnite Vultures”) ou por uma primeira materialização de uma ideia de álbum de baladas orquestrais (“Sea Change”), eis que em 2005 Beck se reaproximou do terreno no qual tinha definido espaços de diálogo entre a canção pop e as contaminações de novas músicas urbanas nos dias de “Odelay” (que em 1997 o elevara a um patamar de aclamação entre pares ao triunfar em noite de Grammys). Ao álbum, no qual a dupla The Dust Brothers voltava (como em “Odelay”) a assumir um papel destacado na produção, chamou “Guero”. O cruzamento de culturas e heranças é ponto de partida para uma mão-cheia de grandes canções. Entre elas este “E-Pro”, com claro sabor a Beck “clássico”, que foi o single de apresentação do álbum.

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