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O robot que nos vai roubar a alma (e depois a vida)

Texto: JOÃO MORGADO FERNANDES

A Inteligência Artificial tem ganho enormes avanços nos últimos anos. E há quem comece a ver nuvens negras no horizonte. Enquanto elas não chegam, podemos ir brincando o jogo das idades.

Anda por aí uma pequena brincadeira que talvez seja melhor levar a sério. Trata-se de um programa da Microsoft que adivinha a nossa idade a partir de uma fotografia que colocam os online. A graça da coisa, que anima o Facebook e arredores, é que aquilo erra quase sempre…

Para a Microsoft, porém, todos os erros são positivos, porque com cada erro o programa aperfeiçoa-se, já que os dados recolhidos permitem aos especialistas da empresa melhorar o algoritmo que faz funcionar o programa.

Aliás, há algum tempo, a Google chegou a ter online algo similar, só que aplicado à identificação de fotografias, fossem elas rostos, paisagens ou outras.

Estes programas não são Inteligência Artificial (AI), porque exigem a intervenção dos humanos para recolher os dados e fazer a retificações, mas o princípio está lá – máquinas que fazem tarefas de forma automática, mas que têm capacidade de aprender.

A grande – e que grande! – diferença da AI é que as máquinas, ou programas, com ela criadas têm inata a capacidade de aprender sem a intervenção do humanos. Como escreve a Economist esta semana, ensinamo-las a falar e um dia elas aparecem a praguejar…

O dossier de capa da edição desta semana da revista britânica – disponível online de forma gratuita durante alguns dias – aborda os enormes avanços que a AI permite, mas também aprofunda os ainda maiores perigos que esta abordagem coloca.

Diversos relatórios e peritos mundiais consideram a Inteligência Artificial uma das maiores ameaças reais que a Humanidade enfrenta. Uma ameaça, aliás, que pode conduzir à extinção da espécie humana em alguns milhares de anos, ou, ao ritmo a que as coisas começam a andar, em algumas centenas. Isto porque ao terem a capacidade de aprender, as máquinas tenderão, pela natureza das coisas – nós, seres inteligentes, somos assim – a tentar dominar o ser humano, o seu criador, o mundo.

Este é um cenário que há muitos anos nos habituámos a encontrar na literatura e no cinema, mas que cada vez se torna mais real. Poderá ser o fim do mundo, tal como o conhecemos, como cantam os REM.

Programa da Microsoft

Economist

Editorial

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