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Douda Correria publica livro do poeta Diego Moraes

Conheceu Nina e quis partir para Espanha. Casar-se-iam em São Paulo e depois partiriam. Em Espanha, ele podia até trabalhar como “lavador de pratos” para terem dinheiro. Não importava. O plano era estarem juntos. Para partirem, precisavam de dinheiro. Nina vendeu uma Pickup Corsa e ele juntou tudo aquilo que tinha.

Não chegaram a casar. Não chegaram sequer a partir para Espanha. Ao fim de um dia no “apê” que alugaram num bairro no centro de São Paulo, ele saiu, de Samsonite na mão, e nunca mais voltou. Durante quase um ano, viveu com os mendigos das ruas de São Paulo. Anos mais tarde, haveria de escrever os seguintes versos: “Talvez eu seja o único cara andando a pé do centro a nova cidade / Recolhendo restos de coisas do século passado e transformando em livros / Chorando, ouvindo aquela canção do Neil Young da boca de um mendigo”.

Esta é parte da história do poeta brasileiro Diego Moraes, contada por um jornalista num artigo publicado na revista online Obvious. Diego nasceu em Manaus, Amazonas, em Agosto de 1982. Com 17 anos publicou o primeiro conto, à custa, diz-se, “de uma briga com a namorada”. Participou em fanzines e revistas independentes e em 2008 publicou o primeiro livro, Saltos ornamentais no escuro. Seguir-se-iam A fotografia do meu antigo amor dançando tango, em 2012, e A solidão é um Deus bêbado dando ré num trator, em 2013, um livro de poemas curtos – muitos deles frases – epigramas e micronarrativas (“Sempre gostei de ler poemas curtos, que atingem o leitor sem muitas voltas e rebuscamentos”, como os de Robert Piva, Rimbaud, Bukowski, Mário Bortolotto e Reinaldo Moraes, diria Diego noutra entrevista).

Este ano, prepara-se para publicar em Portugal o livro Um bar fecha dentro da gente, pela editora Douda Correria, de Nuno Moura e Joana Bagulho, com data prevista de lançamento para a primavera.

Em entrevista à Máquina de Escrever, Diego disse que este livro, 46 poemas escritos em duas semanas, é sobretudo sobre “o amor e a cocaína”. Ao contrário do anterior, os poemas são mais “densos e longos”. “Acredito que este livro é uma obra nova. É mais pesado. Como disse o editor Nuno Moura: Um bar fecha dentro da gente ‘é uma porrada’”.

Em A solidão é um Deus bêbado dando ré num trator, Diego quis acertar contas. Acertar contas com todas essas “coisas que sobraram da juventude”. Um bar fecha dentro da gente é um livro muito mais “maduro”, diz. “Não tive a intenção de acertar contas com nada”. – Helena Bento

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