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Mais memórias de Chaplin no Cinema Ideal

Depois de duas reposições em finais de 2014, o ano vai voltar a ver os filmes ‘Tempos Modernos’ e ‘O Grande Ditador’, de Chaplin, num ecrã de cinema.

Em dezembro regressaram O Garoto de Charlot e A Quimera do Ouro. E em 2015, o Cinema Ideal volta apostar em Chaplin, e os espectadores poderão ver ou rever, em novas cópias digitais, Tempos Modernos e O Grande Ditador, obras muito mais longas e complexas na sua dimensão social.

São dois filmes importantíssimos, não só porque marcaram o progressivo afastamento de Chaplin do cinema mudo que o popularizou, como também pela crítica social e política fortemente presente nas histórias que contam. Duas sátiras a grandes questões da época e que marcaram a rutura, cada vez maior, entre o cineasta e os EUA, país que o tornou num ícone mundial.

Em Tempos Modernos, acutilante desconstrução do conformismo provado pelo método industrial propagandeado por Henry Ford, vemos Charlot pela última vez, e é o filme da interseção de Chaplin entre dois “mundos”, combinando o abandono do cinema mudo com a mudança para o sonoro. E é excecional na farsa, na candura e na emoção que nos suscita, à medida que acompanhamos o inesquecível vagabundo na sua jornada pelas agruras da vida urbana, adocicada com o sabor do amor incondicional.

O Grande Ditador é uma sátira impressionante que se compõe numa série de situações que ridicularizam e confrontam o nazismo. Chaplin duvidou sempre das qualidades do sonoro e pensou que seriam só os filmes mudos (e a Quimera em particular) a imortalizá-lo na cultura popular. Mas esta obra prima genial mostra como estava enganado: o fabuloso discurso final é um dos mais imitados de sempre, e a prova absoluta do poder desta personalidade como uma Voz fundamental do seu tempo – e mais do que com os gestos, a pantomima e os gags, Chaplin soube alertar o mundo através palavras de lindíssimas e sinceras, que ainda Hoje são alarmantes e espantosas. – Rui Alves de Sousa

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