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Björk: retrospetiva no MoMA e um novo álbum

A exposição, que o museu nova-iorquino apresenta entre março e julho chega num mesmo ano em que a cantora prepara a edição de ‘Vulnicura’, um novo disco de estúdio.

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Em dezembro, várias publicações musicais partilharam um vídeo originalmente emitido pela televisão islandesa em 1976. Neste especial de Natal, cabe a uma Björk de apenas 11 anos narrar a história da Natividade, enquanto um coro infantil a acompanha. Há algo de profético nesta gravação, onde, de forma ainda inocente, Björk nos chegava já através do som, mas também da imagem.

Não é por isso de estranhar que o Museu de Arte Moderna (MoMA), em Nova Iorque, saliente precisamente o carácter “multifacetado” e multimediático da sua obra, no press release para uma retrospectiva que dedicará à artista islandesa entre 8 de março e 7 de junho. Com curadoria de Klaus Biesenbach, a exposição reforça a presença das artes tecnológicas na narrativa institucional da arte contemporânea, apostando nas muitas e inovadoras colaborações a que Björk se dedicou ao longo dos mais de 20 anos da sua carreira a solo.

Sabemos, para já, que todos os seus álbuns, cada um com o seu demarcado universo sonoro e visual, serão integrados segundo uma narrativa, parte auto-biográfica, parte imaginada, que a artista escreveu com Sjón (letrista de Oceania, Joga, ou muitos outros temas da sua discografia). Esta culminará com uma peça 3D “imersiva”, comissionada pelo museu norte-americano, e desenvolvida com a empresa de design de software Autodesk (responsável por muitos dos efeitos especiais em Avatar) e Andrew Thomas Huang, que já tinha assinado o vídeo para Mutual Core em 2011.

Esta interdisciplinaridade já tinha sido explorada a fundo em Biophilia, o primeiro “App album” do mundo (agora também a primeira aplicação adquirida para a colecção do MoMA), que procurou articular com a música tanto a tecnologia, como as ciências naturais. Para além dos 10 temas que constituem o álbum, e dos dez fenómenos naturais que lhes correspondem, o projecto consistiu ainda na construção de instrumentos únicos, na realização de programas educativos ou no lançamento do filme Björk: Biophilia Live.

Foi em outubro que a autora de Homogenic justificou a sua ausência na estreia londrina deste último com a preparação de um novo álbum, a sair também em 2015. Desde então, foi revelado que tanto o produtor venezuelano Arca (que além do seu álbum Xen, deste ano, tem colaborado com Kanye West ou FKA Twigs) não só co-produziu seis temas, como participou mesmo na escrita de dois deles. Já Haxan Cloak esteve encarregue da mistura da maior parte do álbum. Com apenas 9 temas, o registo é curiosamente entitulado Vulnicura.

Como seria de esperar, o lançamento foi anunciado para março, coincidindo assim com a abertura da retrospectiva em Nova Iorque. – Francisco Soares

Como complemento fica aqui o alinhamento do novo álbum:
1. Stonemilker
2. Lionsong
3. History of Touches
4. Black Lake
5. Family
6. Notget
7. Atom Dance
8. Mouth Mantra
9. Quicksand

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