Nicki Minaj, ‘The Pink Print’
Presente no espaço mediático da música mainstream desde 2010, altura pela qual o disco de estreia Pink Friday deixava antever algum do modus operandi da sua autora, Nicki Minaj mantém-se cercada por níveis de popularidade e azáfama que tanto se devem ao seu repertório, como à forma como o – e se – decide apresentar. Sendo explicitamente bem-sucedida em canções que buscam os modos mais espalhafatosos de união entre a pop e a música de dança (recordem-se Superbass”, Starships ou Pound the Alarm), Nicki traçou entretanto um novo patamar para aquilo que uma figura feminina é capaz de atingir num contexto tão tipicamente misógino como o panorama internacional de rap/hip-hop. Roman Holiday, Beez in the Trap ou a sua incrível performance em Monster (presente em My Beautiful Dark Twisted Fantasy), são exemplos da cadência frenética e da originalidade rítmica de Nicki.
Assinando agora The Pink Print, o seu o terceiro longa-duração, a artista persegue objetivos menos festivos, optando por modos expressivos mais discretos apesar da irreverência contínua de Anaconda e do respetivo teledisco que, ao serem apresentados como breve antevisão do álbum, far-nos-iam prever uma audição agitada e rica em ritmos mais acesos. Uma armadilha sonora na qual o ouvinte pouco preocupado com rótulos de género não se importará de cair.
Com um alinhamento que coloca no seu início o tríptico de canções mais emocionais que Nicki Minaj alguma vez escreveu, All Things Go, I Lied e The Crying Game perfazem um desarme maior a nível das expectativas e de qualquer noção de preconceito sobre o que aqui se poderia vir a escutar. Estas são três faixas que, para além de profundamente biográficas, aliam uma rigorosa entrega vocal a ritmos quase minimalistas e a sintetizadores que tingem em tons subtis refrões que nos surpreendem em cada uma das canções.
Ao longo da duração do disco clarifica-se a proposta artística que salienta o álbum como objeto mais complexo do que um mero conjunto de canções: a consistência na sonoridade com que The Pink Print se constrói, torna-o uma audição sólida, apoiada por um arco semi-narrativo assente na introspeção como elemento chave.
À semelhança de Broke with Expensive Taste de Azealia Banks, The Pink Print tem o que é necessário para se considerar um dos discos de hip-hop mais importantes de 2014, ao celebrar as possibilidades criativas da figura feminina nesse universo. – André Lopes
Nicki Minaj
“The Pink Print”
Island / Universal
( 4 / 5 )

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