O lugar de Obama na História
Texto: JOÃO MORGADO FERNANDES
Daqui a dois anos, mais precisamente no dia 20 de janeiro de 2017, Barack Obama cederá o seu lugar de Presidente dos Estados Unidos ao escolhido (ou escolhida – Hillary Clinton continua em grande vantagem no campo democrata) nas eleições de Novembro.
Que lugar reservará a História ao primeiro Presidente negro dos EUA?
A pergunta foi lançada pela New York Magazine, numa das primeiras edições de 2015, sob a designação de The Obama History Project. A revista assume claramente o risco, bem sintetizado por um dos historiadores com quem falou: “Vivemos num nevoeiro e daqui a umas décadas os historiadores contarão aos seus contemporâneos o que estava a acontecer em 2014. Não conhecemos o futuro”.
Mas este é – lembra a revista – um exercício prospectivo que, de certa forma, lança também alguma luz sobre o tempo que vivemos. Projetarmos como vamos ser avaliados daqui a 20 anos – é esse o espaço temporal proposto – ajuda a melhor compreender, e talvez ajustar, o que hoje fazemos.
A New York ouviu, por isso, 53 historiadores sobre os vários aspectos da era Obama: da política externa, à economia, ao modo como geriu todos os outros assuntos domésticos. Com alguma graça, a revista admite que teve de distorcer ligeiramente a amostra do painel, porque a maior parte dos historiadores é… de esquerda.
Na versão online, estão publicados, não apenas os resumos jornalísticos, mas igualmente os depoimentos na íntegra.
Esta atenção da New York pelos mandato de Obama não é, porém, uma bizarria fora de tempo. Nos últimos meses, a generalidade dos media americanos dedicou-se a um aceso debate sobre o tema, obviamente tendo em vista a preparação das campanhas para as primárias das eleições de Novembro de 2016.
Um dos textos mais interessantes, com um título “demasiado” explícito, foi publicado, em Outubro, na Rolling Stone, por Paul Krugman: “In Defense of Obama”.

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