Uma fantasia em que facilmente nos perdemos
Texto: ISILDA SANCHES
Soa a disco antigo mas é de 2014 e até foi um dos mais especiais do ano, sobretudo para quem tem carinho por psicadelismo, space rock, sintetizadores e filmes sci fi obscuros de países de Leste. The Silver Globe, o sexto álbum de Jane Weaver, é inspirado no filme com o mesmo título do polaco Andrzej Żuławski, originalmente realizado nos anos 70, proibido e destruído pelas autoridades comunistas e apenas restaurado e tornado publico no final da década de 80. Claramente, o filme cria um bom contexto para o disco, retro futurismo pós apocalíptico, esoterismo, drama, tensão e fantasia, mas não é preciso vê-lo para perceber e apreciar a música.
Jane Weaver nasceu em Liverpool, teve uma banda de brit pop chamada Kill Laura e um projecto de folktronica (Misty Dixon), dirige uma editora, a Bird Records, mas este disco sai pela do marido, a Finders Keepers, um dos selos que mais tem feito pela recuperação de pérolas perdidas do passado, ou não fosse Votel um dos maiores geeks de musica obscura da galáxia conhecida.
Jane Weaver faz praticamente tudo em The Silver Globe, mas tem faixas co-produzidas por David Holmes e Andy Votel, colaborações de Cybrotron, lendária dupla prog australiana e de Badly Drawn Boy, além de samples de Hawkind. Rock cósmico com ritmo motorik que inevitavelmente evoca grupos alemães dos anos 70, como Neu ou Can, canções pop delicodoces e nostálgicas a lembrar a folk britânica da mesma época, sintetizadores em devaneios intergalácticos, psicadelismo com grande sentido lúdico, que de facto nos leva em viagem e cria uma fantasia em que facilmente nos perdemos. The Silver Globe é um disco mágico.
Jane Weaver
“The Silver Globe”
Finders Keepers
4 / 5

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