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Demis Roussos (1946-2015)

Pormenor da capa de "Fire and Ice", de 1971

Com pico de fama vivido na década de 70, quando somava êxitos atrás de êxitos nascidos de canções românticas – algumas delas evidenciando marcas de identidade da música grega – mas com a mais suculenta etapa da sua obra vivida a bordo dos Aphrodite’s Child, grupo de rock progressivo com breve carreira entre finais dos sessentas e inícios dos setentas, Demis Roussos era um nome há muito arredado das atenções. Morreu este domingo, aos 68 anos, no hospital em Ygeia (Grécia), onde estava internado.

Nascido em Alexandria (Egito) em 1946, filho de pai grego e mãe egípcia de ascendência italiana, Artemios Ventouris Roussos – o seu nome completo – cresceu na Grécia, para onde a família se mudou depois de ter perdido tudo o que tinha durante a crise militar no Sinai entre 1956 e 57. Teve primeiras bandas de vida curta até que, aos 17 anos, conhece Evangelos Papathanassiou (que mais tarde seria conhecido como Vangelis) com quem, juntamente com o baterista Loukas Sideras, formaria os Aphrodite’s Child, pelos quais gravaria três álbuns entre 1968 e 1972. O conceptual 666 (1972), derradeiro disco do trio, tornar-se-ia mesmo uma referência no então emergente universo do rock progressivo.

Por alturas em que os Aphrodite’s Child gravam esse seu último álbum já Artemious, sob o nome Demis Roussos, encetara em 1971 uma carreira a solo com o single We Shall Dance, que anunciou a chegada do álbum Fire and Ice (em alguns territórios editado como On The Greek Side of My Mind). Teve os seus maiores êxitos com canções como Forever and Ever (1973), Goodbye My Love Goodbye (1973) ou My Friend The Wind (1973), todos eles contudo extraídos do alinhamento do álbum de 1972 Forever and Ever, o mais bem-sucedido de toda a uma discografia que conheceu gravações em várias línguas, entre as quais o português.

Depois de um último êxito de impacte global em 1976, com When Forever Has Gone, o sucesso esmoreceu a caminho do fim da década e a sua presença perdeu visibilidade nos anos 80 e 90, a mais “mediática” das suas histórias de então sendo a ocasião na qual foi, por alguns dias, refém de um comando terrorista que sequestrou um avião (em 1985).

Uma presença vocal peculiar, arranjos de pujança operática (precisamente pensados para explorar as características vocais), um porte volumoso (chegou a pesar 147 Kg) e um gosto por caftans (uma espécie de túnica característica de algumas culturas mediterrânicas) fizeram a imagem de marca de uma carreira que, nem que pelo trabalho registado a bordo dos Aphrodite’s Child, merece não ser guardada no mesmo baú das mais inconsequentes memórias da música ligeira dos anos 70 habitada por figuras como Art Sullivan e outros que então somavam êxitos que o tempo acabou por esquecer. – N.G.

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