Últimas notícias

Quem geria o mobiliário em Versalhes?

Texto: NUNO GALOPIM

A revista ‘Château de Versailles’ é uma publicação trimestral que toma o palácio e o seu tempo como matéria prima. Na edição mais recente conta o que fazia o Garde-Meuble da coroa.

A Galeria dos Espelhos - Foto: Nuno Galopim

Nem todos os que estavam alojados em Versalhes tinham os respetivos apartements mobilados a expensas da coroa francesa. E muitos dos que habitavam o palácio tinham mesmo inventários pessoais dos móveis que para ali tinham transportado ou mandado comprar. Porém, se as figuras fossem da família real ou trabalhassem diretamente com os seus filhos, ocupassem cargos próximos da casa real ou fossem mesmo pessoas de serviço como valetes e empregadas de quarto, havia um encarregado de assegurar que as mobílias a si destinadas tivessem, as certas, nos lugares certos. Era designado como Garde-Meuble de la Courone (o guarda-móveis da coroa, numa tradução livre) e o seu trabalho é motivo para um dos artigos publicados no mais recente número da revista Château de Versailles, publicação trimestral que toma o palácio francês como mote, alargando a sua esfera de interesses a figuras e acontecimentos dos tempos em que foi residência real.

Cargo criado nos tempos de Colbert (que por acaso é a figura de capa desta edição, dele sendo apresentado um extenso perfil), o Garde-Meuble tinha como missão não apenas a salvaguarda do acervo em móveis de Versalhes (assim como a eventual aquisição de novas peças), mas na verdade era o responsável pelo mobiliário em todas as resistências reais. Além do mobiliário, estavam também sob a atenção dos seus inventários as tapeçarias, bronzes, candelabros, assim como era da sua responsabilidade toda a loiça de serviço às refeições.
Instalado em Paris, junto dos armazéns centrais da coroa, tinha funcionários em cada uma das residências, cada grupo local sendo supervisionado pelo concierge garde-meuble. Era este quem vigiava a entrada e saída de móveis, sempre em coordenação com o Garde-Meuble central. Este tinha ainda a obrigação de zelar pelo fornecimento de acessórios decorativos e podia acompanhar de perto a manufatura de novas peças entretanto encomendadas.

O artigo, publicado nesta edição da revista, revisita depois casos concretos de encomendas e nota a memória de algumas (poucas) figuras que passaram acima das competências do Garde-Meuble e ilustra as páginas com alguns exemplos de mobiliário hoje presente em Versalhes.

Além do artigo sobre o responsável pelos móveis e do perfil de Colbert, este número da revista inclui, entre outras peças, um artigo sobre o delfim Louis Joseph Xavier François (1781-1789), segundo filho de Luis XVI e Maria Antonieta – irmão da mais velha Madame Royale e do mais novo príncipe, referido como Luís XVII, apesar de nunca ter reinado), que morreu muito jovem, meses antes do eclodir da revolução. Neste número há ainda um apanhado de descrições do palácio segundo surgiram na escrita de Stephen Zweig. Criada em 2010, a revista Château de Versailles tem ainda entre as suas secções fixas uma página com os novos lançamentos em livro sobre o palácio e os tempos do ancien régime.

Deixe um comentário