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Imagina ‘O Sexo e a Cidade’ sem elas? Esteve lá perto…

Texto: NUNO CARDOSO

Sarah Jessica Parker está prestes a voltar ao pequeno ecrã como protagonista. Mas há 17 anos, tanto ela como as restantes estrelas de ‘O Sexo e a Cidade’ estiveram a um passo de ficar de fora do fenómeno de popularidade da HBO.

1998. No mesmo ano em que emergia o escândalo sexual em torno de Bill Clinton e Monica Lewinsky, quatro mulheres estavam prontas para criar outra revolução sexual, mas no universo das séries de televisão. Carrie, Samantha, Miranda e Charlotte: são elas o quarteto de amigas de Nova Iorque que, durante cinco anos, seis temporadas e quase 100 episódios, ajudaram a reposicionar o papel da mulher e do sexo na TV, derrubando tabus e alargando mentalidades, com visível impacto cultural pelos delfins que se seguiram.

O Sexo e a Cidade, a série-fenómeno de popularidade que chegou a picos de 12 milhões de espectadores nos EUA (número raramente atingível no mercado de cabo da altura) e que, de mãos dadas a Os Sopranos começou a colocar a HBO no mapa do que de melhor se fazia na TV, tornou-se numa verdadeira máquina de fazer dinheiro, criando um império na ordem das “dezenas de milhões de euros” segundo a estação.

Na linha da frente da conquista estiveram Sarah Jessica Parker, Kim Cattrall, Cynthia Nixon e Kristin Davis, que viram na comédia dramática a rampa para elevar os seus nomes a figuras de primeira linha, chegando a receber dois milhões de euros (no caso da protagonista, também ela a dada altura produtora-executiva) e 250 mil euros por episódio da série vendida para mais de 200 países e vencedora de sete Emmys.

Agora que foi confirmado o regresso de Jessica Parker à TV como protagonista de uma nova comédia da HBO, Divorce, e permanecem os rumores de um terceiro filme inspirado na série baseada na obra de Candice Bushnell – os dois primeiros, de 2008 e 2010, renderam 520 milhões de euros nas bilheteiras mundiais – sabia que as quatro atrizes-pilar de O Sexo e a Cidade estiveram perto de não participar na série

Carrie, uma escritora e fashionista na eterna busca por um grande amor.
Com uma carreira de duas décadas fora dos radares, Sarah Jessica Parker não foi a primeira escolha para o papel principal. Darren Star, que adaptou o livro de Bushnell para TV, quis Dana Delaney (protagonista de Body Of Proof e Katherine em Donas de Casa Desesperadas) para o papel de Carrie, mas a atriz recusou por ter feito, pouco tempo antes, uma minissérie que também falava sobre sexo, não querendo repetir o género. Parker foi a segunda escolha. Ainda hesitou, por estar concentrada no cinema e teatro mas quando o marido e o irmão leram o guião dos primeiros episódios, disseram-lhe: “És louca se não aceitares”. E assim foi.

Samantha, a femme fatale por excelência.
Kim Cattrall levou meses a aceitar o papel da mais divertida das amigas de O Sexo e a Cidade, tendo rejeitado o convite do criador por três vezes. Chegou a ler o livro que inspirou a série, mas só conseguiu ler metade, por não se identificar com a história. Os responsáveis chegaram a escolher uma outra atriz para o papel, mas um mês antes das gravações arrancarem, o namorado do criador de O Sexo e a Cidade convenceu-o a ligar de novo para Cattrall. Perante a insistência, Kim deu o benefício da dúvida e cedeu. Foi a última das quatro, de resto, a ser confirmada no elenco.

Miranda, a racional e independente.
O produtor do formato não tinha dúvidas: Miranda tinha que ser ruiva. Quando Cynthia Nixon fez o casting, Darren Star não a imaginava a interpretar o papel porque a atriz era loira. As semanas foram passando e nenhuma outra se encaixava na personalidade sarcástica e frontal da personagem. Quando Nixon se preparava já para aceitar outro trabalho numa série de TV, Star repensou e simplificou o problema: pintou-lhe o cabelo.

Charlotte, a romântica com toques de ingénua.
Kristin Davis tinha as probabilidades contra si. Primeiro, acabava de ser retirada de Melrose Place – série na qual o criador de O Sexo e a Cidade era produtor, porque o público não simpatizou com a sua personagem. Segundo, porque foi chamada para o casting de Carrie. Davis não estava satisfeita. “Nunca conseguiria fazer uma Carrie. No episódio-piloto ela era demasiado colada à personagem do livro, fumava muito, dizia palavrões, era dura e cínica”. Não ficou com o trabalho. Até que Star a chamou de volta para interpretar alguém mais convencional.

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