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O metal dos vikings

Texto: INÊS SOUSA ALMEIDA

Os Amon Amarth, que juntam heranças de Tolkien e mitologia viking, passaram por Lisboa, onde atuaram juntamente com os Savage Messiah e Huntress.

Foto de: Nuno Santos

Quem conhece a obra de J. R. R. Tolkien, saberá que o autor criou várias línguas, incluindo o sindarin, idioma falado pelos elfos. Nessa língua, Amon Amarth significa Mount Doom, o vulcão situado em Mordor, o único em que o anel poderia ser destruído. Aliando a literatura de Tolkien à mitologia viking, o lado conceptual dos Amon Amarth torna-se muito interessante. Mas noite em que recentemente atuaram entre nós começou bem antes da sua chegada ao palco…

Apesar da chuva que caía, já eram muitas as pessoas que aguardavam pela abertura de portas do Paradise Garage. Com a camaradagem do costume, partilhavam-se cervejas e criavam-se expectativas para mais um concerto dos suecos Amon Amarth. A sala ainda estava por encher quando os ingleses Savage Messiah começaram a sua actuação. Iconocaust foi um bom aquecimento, o público reagiu bem aos pedidos da banda e o mosh pit não se fez tardar. No entanto, foi Hellblazer que mais adesão teve. O teledisco desta faixa do álbum The Fateful Dark, lançado em 2014, contou com a participação de uma possuída Pixie Le Knot, actriz que teve um pequeno papel na série Game of Thrones. Apesar de não serem uma banda inovadora, os Savage Messiah mostram o seu valor com uma acérrima atitude, como se pede no heavy metal.

Seguiram-se os americanos Huntress. Fez-se ouvir a voz feminina de Jill Janus que, por vezes, soa um pouco estridente, em comparação com as gravações de estúdio. Com um olhar intencionalmente demoníaco, movimentos algo masculinos e uma ventoinha estrategicamente posicionada, conseguiu manter uma interacção muito próxima com a plateia, numa sala já mais bem composta. Apesar de o entusiasmo ter sido praticamente constante ao longo do espectáculo, foi I Want to Fuck You to Death que mais gente pôs a cantar. Incluída no disco Starbound Beast, de 2013, esta não é uma música qualquer. Foi escrita em colaboração com o icónico Lemmy Kilmister, líder dos Motörhead, o que significa um grande selo de aprovação de uma das lendas vivas do rock. Apesar de serem uma banda maioritariamente heavy, os Huntress também demonstram traços de doom metal em alguns temas.

Não há nada que aqueça o coração de um metaleiro como uma boa canção de Iron Maiden. Portanto, foi Run To The Hills que pôs uma sala esgotada a cantar, num crescendo entusiasmo para o início do concerto dos Amon Amarth.

Começou então com Father of the Wolf e Deceiver Of The Gods, primeira faixa do disco com o mesmo nome, o último que a banda lançou, no ano de 2013. Se muitos grupos não conseguem o entusiasmo dos seus fãs com os temas mais recentes, o mesmo não se passa neste caso. A decisão é unânime: começa o mosh pit, num libertar de energia, muito bem alimentado pelos músicos em palco.

Num concerto que revisitou quase a totalidade dos discos, destacaram-se As Loke Falls, Death In Fire, Shape Shifter, War Of The Gods e ainda Guardians of Asgaard, que resultou num coro potente.

Para Twilight of the Thunder God, Johan Hegg foi buscar o seu enorme Mjölnir, o martelo do deus nórdico Thor, cujo trovão representava a fúria divina. Encontramos em Hegg um líder à altura da sua tarefa que, apesar de se impor, se dirige à multidão com expressões empáticas.

“Sei que muitos de vocês não sabem as letras, mas é death metal, quem notará a diferença?”, pergunta o vocalista, arrancando alguns risos à sua audiência.

Foi este o mote para The Pursuit of Vikings, o último tema do concerto, que conseguiu uma festa generalizada.

Os Amon Amarth são uma banda que não fogem muito à sua fórmula melódica, que se torna naturalmente acelerada, devido ao uso constante do pedal duplo na bateria. Mais uma vez, deixam uma marca no público português, com o qual soube construir uma forte ligação.

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