Uma outra nova eternidade por descobrir
Textos: FRANCISCO GONÇALVES SILVA
Shrines, álbum de estreia lançado no Verão de 2012, valeu a Megan James e Corin Roddick o selo de Best New Music pela Pitchfork, uma nomeação para os Prémios Polaris em 2013 e um exemplar álbum com sonoridades pop com um travo sombrio e envolvente. Oriundos de Edmonton, no Canadá, Another Eternity foi, depois de um álbum criado à distância, o primeiro exercício em que o duo trabalhou presencialmente na sua terra natal e progrediu para outros patamares na evolução do seu processo criativo.
Comparativamente, o primeiro álbum investiu numa visão mais obscura e claustrofóbica. E são canções como Obedear, Belispeak ou Fineshrine que nos servem de exemplo, onde a composição de Megan James e a produção de Corin Roddick procuram uma sincronia entre a manipulação da linguagem nas letras, uma voz embaladora e a dimensão etérea e sonhadora na sua música. Através do uso de metáforas, aliterações e inspiração biográfica na escrita, a componente nostálgica e emotiva associa-se à evidente influência do R&B e hip hop dos anos 90 nas batidas que Roddick produz, tanto para os Purity Ring como para outros colaboradores, como é o caso do cantor Elijah Blake.
Another Eternity abre-nos um outro universo. Troca-se o escuro pela luz, o sombrio pela vitalidade e são-nos apresentadas dez novas canções. É com Begin Again, o segundo single, que se dá a separação de dois momentos: o primeiro, mais emotivo e instrospectivo, com Repetition ou Bodyache, sendo Stranger Than Earth a ponte para o segundo, sendo este mais dançável e efusivo.
Alcançando uma dimensão épica com Dust Hymn e no ponto alto Flood on The Floor o uso bem articulados de sintetizadores mostra-se eficaz e útil na produção de canções dançáveis à maneira dos Purity Ring. No entanto, a balada Stillness in Woe serve para revelar em maior detalhe, já na recta final, a habilidade que Megan James tem com as palavras.
Numa época em que se fala da falência da EDM (electronic dance music), que tanto usa géneros como o techno, o trance ou o dubstep, os Purity Ring souberam tirar proveito destas características, adaptá-las e, partindo do ponto onde nos deixaram em Shrines, apresentam novo rumo para as suas canções, permanecendo, no entanto, fiéis a si próprios e aos componentes do synthpop futurista que criam.
Purity Ring
“Another Eternity”
4AD / Popstock!
4 / 5

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