Entre os livros e as letras: lançamentos e sugestões
Texto: HELENA BENTO
Colecção Design Português
24 de março – MUDE (Museu do Design e da Moda)
O jornal Público tem uma nova coleção de livros, oito volumes inéditos e exclusivos que contam a evolução do design em Portugal desde o início do séc. XX, apresentando o contexto histórico e os “principais designers e obras das mais diversas áreas de intervenção do design, da literatura à imprensa, da construção ao produto, da arquitetura à moda”, lê-se na nota de imprensa. O lançamento é hoje, segunda-feira, pelas 17.00 no MUDE – Museu do Design e da Moda, e contará com as presenças de Bárbara Reis (diretora do jornal), Bárbara Coutinho (diretora do MUDE), Guta Moura Guedes (comissária Ano do Design Português) e José Bártolo (coordenador da coleção e diretor científico da ESAD-IDEA), entre outros convidados.
“Livros que falam”
25 de março – Fundação Calouste Gulbenkian
“Fim de tarde. Um homem sentado num cadeirão na sua biblioteca revive de memória alguns episódios marcantes da sua deambulação pela vida misteriosa dos livros. Conta-nos algumas histórias sobre eles, mais precisamente, sobre alguns dos mais desejados e procurados exemplares que ajudaram a completar a sua biblioteca. Esse homem é um sábio, um insigne bibliófilo e a sua vida são os seus livros”, lê-se na sinopse do espetáculo “Livros que falam”, que vai ser apresentado dia 25 de março pelas 17.00, na Fundação Calouste Gulbenkian. Com textos de José V. de Pina Martins (antigo diretor do Centro Cultural Calouste Gulbenkian de Paris tendo, entre outros cargos, presidido à Academia das Ciências de Lisboa), dramaturgia e direção de Silvina Pereira e interpretação de Júlio Martín, o espetáculo está integrado na exposição: Uma Biblioteca Humanista – Os objectos procuram aqueles que os amam, em exibição no mesmo local, de 27 de fevereiro a 26 de maio. Aos olhos desse homem, continua a sinopse, “o mundo é um grande livro escrito a várias mãos. Perante tal riqueza de conhecimento, são muitas as histórias, os amigos, as cidades, as ruas, que nele habitam e que tomam corpo e voz. Os livros ganham vida, quase que têm voz. Queixam-se e falam de si”.
Poesia às Quintas
26 de março – Bar a Barraca (Teatro A Barraca)
Em 2012, quando foi anunciado o regresso das sessões semanais de poesia, Miguel Martins, poeta, tradutor e mentor da iniciativa, escrevia (em nota de imprensa): “A Barraca volta a apresentar sessões semanais de poesia, uma tradição que, em tempos, lhe granjeou enorme fama (para além de ter dado brado nas touradas)”. E continuando: “as leituras estarão a cargo do douto poeta Miguel Martins, que, para além da lírica, dá cartas no badmington (pares femininos), na pasteurização de lacticínios (sem glúten) e no bacará”.
A próxima sessão da Poesia às Quintas decorre no dia 26 de março, a partir das 22.30, no Bar a Barraca, do Teatro A Barraca. É a 128.ª edição, e há de ter alguma coisa a ver com “aforismos, máximas, fragmentos”, de acordo com a publicação feita na página de Facebook do bar, onde se lê, além disso, que “quem não aparecer é porque gosta mais de Sumol do que de vinho (e já passou dos quinze anos)”.
Nas semanas anteriores:
Terças de Poesia Clandestina
17 de março – Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
A ideia surgiu muito “espontaneamente”. Vasco Macedo conheceu algumas pessoas na faculdade interessadas em Literatura e decidiu que seria interessante juntá-las para discutir e ler textos, oferecendo um evento que se distinguisse dos “demais, muitas vezes condenados ao abandono ou a um público que se conta por moscas”. Beatriz Rodrigues juntar-se-lhe-ia depois. As primeiras sessões foram em casa de Vasco, mas o espaço tornou-se pequeno para o número de pessoas. Mudaram-se para o Café Central, no bairro de Alfama, depois para o Quintal, no Rossio, e finalmente para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (FCSH). Sobre a mais recente mudança, Vasco explica: “quisemos ter maior poder decisório sobre as sessões e poder criar o nosso espaço. Por outro lado, tivemos o apoio do subdiretor da faculdade, João Soeiro de Carvalho, e da Associação de Estudantes da mesma”. É ali que vai ter lugar a próxima sessão das Terças de Poesia Clandestina. É hoje, dia 17 de março, pelas 21.30, no espaço da Associação de Estudantes (rés-do-chão da torre B), e contará com a presença de Marta Bernardes, que vai ler poemas de Raquel Nobre Guerra, e Marco Galrito, que vai ler São João da Cruz.
Pedro Vieira, “O Que Não Pode Ser Salvo”
19 de março – Galeria Zé dos Bois
Depois de Última Paragem, Massamá (Prémio Pen Clube Português para Primeira Obra em 2012) e de Éramos Felizes e Não Sabíamos, Pedro Vieira (n. Lisboa, 1975) regressa à ficção com O Que Não Pode Ser Salvo, romance sobre um triângulo amoroso que liga França, o Norte rural português, Lisboa e a margem sul: uma jovem francesa, filha de emigrantes portugueses, que vem viver para a terra a que não pertence, um rapaz que luta para sair do meio em que nasceu, um miúdo burguês, acanhado, com uma família de aparências. Trata-se de uma “história de amor, racismo, ciúme, traição, vingança e inquietação, qual Otelo de Shakespeare e de fancaria na era do rap, do Facebook e do call center”, lê-se na nota de imprensa. O lançamento é no dia 19 de março, às 21.30, na Galeria Zé dos Bois. A apresentação estará a cargo do jornalista Joaquim Furtado.
Almeida Faria, “Cavaleiro Andante”
19 de março – FNAC Chiado
Também no dia 19 de março, pelas 18.30, é apresentado o livro Cavaleiro Andante, de Almeida Faria (n. 1943), quarto e último volume da Tetralogia Lusitana, considerada uma das obras mais marcantes da literatura portuguesa da segunda metade do século XX, que se iniciou há 50 anos com a publicação de Paixão, e de que fazem também parte os romances Cortes e Lusitânia. A presente edição, revista e aumentada, editada pela Assírio & Alvim, conta com prefácio de Eduardo Lourenço e inclui, segundo a nota de imprensa, correspondência inédita entre duas das suas personagens principais: uma carta escrita por João Carlos a Marta, dez anos depois, e um “novíssimo” e-mail de Marta a João Carlos, com data de 1 de janeiro de 2015. Pedro Mexia estará à conversa com o autor.
Lauren Mendinueta, “Uma Visita ao Museu de História Natural”
21 de março – Sala Almada Negreiros (Centro Cultural de Belém)
Uma Visita ao Museu de História Natural, livro da poeta colombiana Lauren Mendinueta (n. 1977), vai ser apresentado dia 21 de março, pelas 17.30, na Sala Almada Negreiros, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. O lançamento está integrado nas comemorações do Dia Mundial da Poesia, uma organização do CCB com a Casa da América Latina, e a apresentação estará a cargo de Nuno Júdice. Editado pela (não) edições, o livro é lançado numa edição bilingue, em castelhano e português, com tradução de Ricardo Marques. A ilustração de capa é da autoria de Joanna Latka.
Nascida em Barranquilla, na Colômbia, Lauren Mendinueta vive atualmente em Lisboa. É poeta, ensaísta e tradutora. Tem vários livros publicados em português, entre os quais, Vistas Sobre o Tejo e Um País que Sonha, Cem Anos de Poesia Colombiana, antologia de poesia colombiana editada pela Assírio & Alvim. Vencedora de prémios nacionais e internacionais de poesia, Lauren Mendinueta é considerada uma das mais importantes vozes da poesia da América Latina. Nos últimos anos, tem traduzido autores portugueses para castelhano, entre eles Vasco Graça Moura, Nuno Júdice, Ana Luísa Amaral e José Luís Peixoto.
Com autorização do editor, João Concha, publicamos aqui um dos poemas do livro:
Revolvendo os papéis de uma gaveta
encontrei uma foto antiga que esquecera.
Nela, como música de fundo,
soa o canto do meu irmão mais novo.
É-me devastador vê-lo na imagem.
É ele, mas há muito que deixou de ser ele.
Sou eu quem o leva nos braços,
mas há muito que deixei de ser eu.
Essa fotografia lembra-me
uma série de caminhos que não segui.
Presente e Futuro: A Urgência da Literatura
10 de março – Centro Cultural de Belém
Após um ano do 1.º encontro: “Literatura: Presente e Futuro”, iniciativa idealizada por Vasco Graça Moura e comissariada por Helena Buescu e Antonio Carlos Cortez, é lançado o livro Presente e Futuro: A Urgência da Literatura, que reúne depoimentos de diversas personalidades das áreas da literatura, humanidades e artes, e pretende “ajudar a ler melhor, compreender o humano e preparar o futuro”, lê-se na nota de imprensa. A apresentação é no dia 10 de março, pelas 18.00, na Sala Luís de Freitas Branco, no Centro Cultural de Belém.
Oh, a poesia! – Curso de Marta Navarro, João Silveira e Rosa Azevedo
11 de março – Sociedade Guilherme Cossoul
Marta Navarro, João Silveira e Rosa Azevedo avisam desde já que não vão ensinar a ler nem a escrever. Vão, pelo contrário, “abrir portas e caminhos múltiplos” para que os leitores criem com os livros “um espaço de segredo, intimidade e absoluta autonomia”. O aviso é feito na página de Facebook do evento. “Oh, a poesia!”, curso que lecionam na Sociedade Guilherme Cossoul, pretende, a partir de algumas linhas de força, “criar leitores críticos, autónomos, livres de preconceitos e pré-leituras de cada texto”. As sessões são à quarta-feira, entre as 19.00 e as 20.30. O curso teve início no passado dia 4, e a próxima sessão é no dia 11 de março. Termina a 29 de abril.
O Cemitério dos Amores Vivos, de Jorge Araújo
12 de março – FNAC Chiado
O Cemitério dos Amores Vivos é o título do novo romance do jornalista e escritor Jorge Araújo, que se centra na relação entre pai e filho, perturbada pelo “ódio de uma mulher abandonada que faz do filho arma de destruição, destruição do pai”, lê-se em nota de imprensa. O livro, que foi publicado em fevereiro deste ano pela editora Clube do Autor, vai ser apresentado na próxima quinta-feira, dia 12 de março, às 19.00, na FNAC do Chiado, em Lisboa. A apresentação estará a cargo da juíza Maria Perquilhas e do ator João Ricardo.
Jorge Araújo nasceu em 1959, na cidade do Mindelo, ilha de S. Vicente, Cabo Verde. Trabalhou no Independente, Já, TVI, Correio da Manhã e BBC, tendo sido editor do suplemento Atual, do jornal Expresso. Atualmente é editor da revista E, a nova revista do semanário. É autor de vários romances, entre os quais O Dia em que a Noite se Perdeu, Nem Tudo Começa com um Beijo e Cinco Balas Contra a América.
Já ocorridos:
“1 gato para 2”, de Ricardo Tiago Moura
O livro de Ricardo Tiago Moura (n. 1978), editado pela não (edições), vai ser apresentado dia 6 de março, no bar do Teatro A Barraca, pelas 22.00. A apresentação estará a cargo de Gustavo Rubim e a leitura de poemas será feita pela Raquel Nobre Guerra.
1 gato para 2, com capa e ilustrações de André da Loba, reúne dois conjuntos de poemas escritos em 2011, mais tarde reunidos, sendo que este livro é, na verdade, dois livros, segundo escreve o autor em nota numa das primeiras páginas, e foi publicado parcialmente na extinta Hariemuj, há dois anos, encontrando-se essa edição fora de mercado.
Ricardo Tiago Moura é autor de Espaço Aéreo (Arqueria, Brasil, 2004) e Epístolas a D., editado em 2013 pela não (edições). Os seus poemas foram publicados em várias revistas e antologias.
Com autorização do editor, João Concha, publicamos aqui um dos poemas do livro:
Nem que reste da corrida sempre
uma procissão de sítios a que não
regresso sem deixar de ser
o lastro o frémito uma sombra
de um degrau anterior e no princípio
se descubra a câmara lentíssima
nem que me oiçam dizer
de mão fechada e falante
com estrondo qualquer coisa
o astro a mentira uma cópia
de uma mentira seguinte e antes
nem que me adivinhasse
a regressar aos átrios
e a sonhar tapetes
reincido e mantenho
a calma o aviso
sou só eu a cair.
Sétima edição da revista ‘Flanzine’
Em 2013, quando começou, tinha “tudo para correr mal”. A probabilidade de “tropeçar num buraco orçamental, ou embater num poste plantado por tecno-burocratas mercantilistas”, era significativa. Mas, ao que tudo indica, não tem corrido nada mal. Depois de ter sido lançada oficialmente no festival literário Correntes d’Escritas 2015, que decorreu na Póvoa do Varzim, a sétima edição da Flanzine, revista de João Pedro Azul e Luís Olival, vai ser apresentada em Lisboa, dia 7 de março, também no bar do Teatro A Barraca, em Lisboa, a partir das 22.00.
O tema desta edição é a Miopia, e os editores (ambos míopes), que se descrevem como dois “navegadores cibernéticos unidos na ressaca de uma geração florescida em Abril que sobrevive através do humor negro”, fazem questão de nos esclarecer quanto aos significados da palavra: imperfeição ocular que só deixa ver os objetos a pequena distância do olho, e, em sentido figurado, falta de inteligência.
Tamara Alves assina a capa e Shut Up Cláudia a contracapa. Miguel Cardoso, Miguel Martins, Nuno Moura, João Almeida, Filipa Leal, Cláudia R. Sampaio, Margarida Ferra, Valério Romão e Inês Fonseca Santos são alguns dos autores que participam nesta edição.

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