Os filmes da Monstra 2015
Textos: DIOGO SENO, LOURENÇO ROCHA e RUI ALVES DE SOUSA
“Song of The Sea”, de Tim Moore
(longa-metragem)
Irlanda, 2014
Song Of the Sea, filme que recebeu o Prémio Especial do Júri desta 15.ª edição da Monstra, é uma história familiar que envolve mitologia, seres fantásticos e sobrenaturais, e algumas comparações interessantes entre a realidade das personagens humanas (o menino, a irmã, o pai e a avó) e o reflexo das mesmas no outro mundo retratado pelo filme. Esse mundo é mágico, belo e sedutor, mas tem também algo de obscuro, e está cheio de segredos e armadilhas que serão ultrapassados ao longo da jornada de aventuras das duas crianças, mais o cão, entre mundos e fundos maravilhosamente desenhados e concebidos para o grande ecrã.
É um filme na linha da Disney não tanto pela estética, mas pelo modo encantador e poético utilizado para contar a história (que perde a coesão em certas situações) e das suas personagens (cada uma representa algo, mas todas têm um lado “fofinho” muito próprio). Não é uma grandiosa obra animada, em que a grandeza visual parece desajustada à pequenez da aventura relatada, mas que entretém e pode causar lágrimas, dada a beleza das imagens e a candura que emana cada momento do filme. A história tem uma previsibilidade que poderá só agradar aos mais pequenos (porque desde o primeiro momento se consegue perceber tudo o que irá acontecer), acabando por cair nos clichés mais redundantes. No entanto, o público adulto não é esquecido, com algumas simbologias que só os mais velhos conseguirão entender – mas no final, todos ficarão rendidos às canções, ao humor e à magia imperdível de Song of the Sea. – Rui Alves de Sousa
Lisa Limone and Maroc Orange, de Mait Laas
(longa-metragem)
Estónia, 2013
Um musical de animação que é ao mesmo tempo uma história de amor e uma crítica social. Maroc Orange, após o naufrágio do barco de refugiados em que seguia, é feito escravo pelo dono de uma plantação de tomate e uma empresa que fabrica ketchup. Lisa Limone é a filha deste empresário, que sonha com o amor e se apaixona por Maroc. A história efabulada desta longa metragem tem contornos de sátira e de história de amor, mas não chega a ganhar vida. As personagens e a narrativa são desequilibradas, as críticas são superficiais, quando não pouco coerentes. A animação é expressiva e muito colorida, conseguindo alguns momentos de deslumbre, sobretudo na sequência inicial, nocturna, com a panóplia de expressões faciais das laranjas refugiadas e o mar revolto. Em terra, os cenários são detalhados e alguns pormenores absurdos deleitam, apesar da insatisfação provocada pela incoerência narrativa. – Diogo Seno
strong>“Krysar – The Pied Piper”, , de Jiri Barta
(longa-metragem)
República Checa, 1985
Os contos populares sempre foram território fértil para o cinema de animação. As adaptações mais célebres, nomeadamente as da Disney, não obstante alguns pormenores, sempre atenuaram o que de mais violento e macabro estes contos continham. Não é o caso do filme de Jiri Barta, adaptação do conto alemão medieval O Flautista de Hamelin, em que uma vila onde a ganância é rainha é invadida por uma praga de ratos e é salva por um flautista misterioso.
O realizador utilizou diferentes técnicas visuais e de animação, criando um mundo detalhado, estranho e onírico que propícia a imersão no universo medieval do conto. As figuras e os cenários em madeira, com a sua rigidez e aspecto “inacabado” e tortuoso contrastam com a maciez e textura do pêlo dos ratos. A atmosfera do filme é misteriosa e acentuada por uma banda-sonora perturbante e pela indefinição de personagens ou de situações: é-nos dado acesso temporário a um mundo paralelo para o qual nos falta a compreensão da sua linguagem (as próprias personagens apenas trocam interjeições ou palavras numa língua indiscernível). Com inspirações visuais que passam pelo expressionismo e até pelo cubismo, a riqueza expressiva do filme atinge o seu ápice numa belíssima cena na qual, ao som da flauta, uma paisagem campestre ganha forma e cor e se preenche.- D.S.
“Giovanni’s Island”, de Mizuho Nishikubo
(longa-metragem)
Japão, 2014
Giovanni’s Island é um drama doce sobre as amarguras de várias personagens que se confrontam com os meses finais da II Guerra Mundial – e o período que imediatamente se sucedeu ao fim do conflito. Se bem que só começa a ganhar consistência numa altura tardia da narrativa, o filme não consegue nunca deixar de ter, no entanto, um lado emocional e singularmente infantil, que se reflete no impacto das tragédias relatadas no olhar do espectador. Isto porque as circunstâncias em que se desenrolam os acontecimentos são fortíssimas, e as personagens também.
Não enche o olho, já que a mistura entre animação 2D e digital não segue um caminho proveitoso para os interesses de ambas as “partes”, acabando por pegar em ideias visuais que não encaixam e que não conseguem fazer sentido em todo o conjunto (e por vezes, o filme tem dimensões algo grotescas). Mas Giovanni’s Island ganha pela simplicidade da mensagem, e da maneira como a mesma nos chega, independentemente daquilo que possamos achar do aspeto formal e técnico do filme. Não fica para a História, mas também não irá cair, certamente, no esquecimento de muitos dos que virem esta história e se identificarem com a mesma, com as ideias das personagens e da amizade que une os dois irmãos protagonistas de Giovanni’s Island. – R.A.S.
“A Família Yamada”, de Isao Takahata
(longa-metragem)
Japão, 1999
Em 18 episódios Takahata delineia a família Yamada. Como os minimalistas haiku colocados no final de algumas destas sequências, o traço, cingindo o tipo das personagens e, de maneira ainda mais vaga, dos cenários, livra o espaço para que um público global reveja aqui as suas referências. Baseado numa tira aos quadradinhos de jornal, A Família Yamada emerge nas vinhetas quotidianas – como Uma Crise Familiar, Mestre em Economia Doméstica, Supremacia Paternal Restaurada ou Adolescência –, parecendo tentar responder ao mote abalador que Noboru, o mais velho de um casal de irmãos (além dos pais, a família inclui ainda a avó Shinge), lança inesperadamente no início do filme – “Quem somos?”. Takahata fornece primeiro uma base metafórica – e são as sequências em que o seu crivo poético ganha agência e a representação dista do mundano que mais impressionam – sob a qual se esboçarão tangentes com a morte e a vida, o heroísmo e a rotina, a convenção e o indivíduo; tangentes encerradas com uma despreocupada interpretação coletiva de Que Sera, Sera. – Lourenço Rocha
“A Ovelha Choné”, de Mark Burton e Richard Starzak
(longa-metragem)
Reino Unido, 2015
Oito anos depois do início do fenómeno internacional televisivo (mais todo o material de merchandising incluído), a Ovelha Choné e os seus amigos passam agora para o grande ecrã. A Ovelha Choné – O Filme não é mais do que um episódio alargado do que as habituais aventuras de 7 minutos da série que os mais pequenos adoram (e os adultos também). Contudo, os criadores Mark Burton e Richard Starzak criaram uma história que aproveitasse as maiores dimensões do cinema, para levar a trupe de personagens até… à cidade. Os resultados são imprevisíveis, e o caos será lançado em todas as ruas por onde as ovelhas irão passar.
São raros os filmes familiares que conseguem mesmo abranger todas as partes da família (a maioria só consegue ser “infantil”). Mas a Ovelha Choné tem esse mérito de conseguir fazer rir tudo e todos, independentemente das idades (por razões e piadas diferentes), tal como é habitual nas produções da gloriosa Aardman (criadora da famosa dupla Wallace & Gromit – e foi graças a eles que a ovelha surgiu pela primeira vez, na curta A Close Shave). O filme acaba por se tornar numa divertidíssima e inteligente peça de entretenimento, feita com grande precisão e sem ter medo de ser irreverente e despretensiosa. Não poderia haver melhor filme de animação para juntar toda a família, e para nos relembrar como a boa animação ainda pode viver dos métodos tradicionais do stop-motion, sem se deixar submeter pelas inovações tecnológicas (o que tornou Pos Eso numa desilusão, por exemplo). – R.A.S.
“O Conto da Princesa Kaguya”, de Isao Takahata
(longa-metragem)
Japão, 2013
Baseado numa popular história tradicional do Japão, o novo filme de Isao Takahata (um dos nomes mais sonantes dos Estúdios Ghibli, responsável pela angustiante tragédia animada O Túmulo dos Pirilampos) vai mais além do que a mera “adaptação literária”. Utilizando uma técnica de animação bastante curiosa, semelhante à utilizada em A Família Yamada, mas possuindo também contornos de um autêntico storyboard, O Conto da Princesa Kaguya é uma singular recriação dos mitos fantásticos da cultura de um país e da beleza das suas histórias, dos seus segredos e da magia incondicionalmente ligada ao estilo dos estúdios de animação mais conhecidos do Japão.
Nomeada ao Oscar para Melhor Filme de Animação (prémio que, tal como em 2013 sucedeu com As Asas do Vento, foi entregue a uma produção da Disney), esta história de fantasia sobre uma personagem insólita que se vê confrontada com as alegrias e as amarguras da vida na Terra, e das idiossincrasias dos seus habitantes, pode não ter grande sentido, lógica ou credibilidade nos seus elementos narrativos (no desfecho do filme poderão surgir várias perguntas ao espectador sobre qual a justificação para a união de todos os elementos dispersos da história ). No entanto, Isao Takahata delicia o nosso olhar com uma série de cativantes imagens, cores, sons e emoções, que se sobrepõem em relação ao nível mais formal e linear que poderia ter sido utilizado para filmar as desventuras das personagens. É essa a característica mais importante de O Conto da Princesa Kaguya, porque faz com que esta seja uma peça lindíssima de cinema e incontornável na história recente da animação japonesa contemporânea. – R.A.S.
“Pom Poko”, de Isao Takahata
(longa-metragem)
Japão, 1994
No folclore japonês, o tanuki (uma subespécie canídea parecida com a raposa) é um animal bem-disposto, um pouco ingénuo, e com capacidade de se metamorfosear. Isao Takahata recupera-o para a sua fábula ecológica Pom Poko, em que um grupo de tanukis se insurge contra a construção de um projeto urbanístico que, nos arredores de Tóquio, ameaça o seu habitat. Quando os recursos começam a escassear dois grupos de tanuki digladiam-se, até que a uma sábia avó fá-los perceber que este antagonismo canibal não irá solucionar o problema. Tornam-se celibatários e, juntos, opõe-se à empresa dilapidadora, provocando acidentes e sustos, com divertidas assombrações. Mas os humanos não se acanham.. Bem-humorados até ao fim, os tanuki, apesar da sua dimensão infantil, trazem uma lição de respeito ao planeta e resiliência para miúdos e graúdos.- Lourenço Rocha
“Last Hijack”, Femke Wolting & Tommy Pallota
(longa-metragem)
Holanda, Irlanda, Alemanha, Bélgica, 2014
Combinando a imagem real com a animação, o passado com o presente, o real com o ficcionado, Last Hijack é um filme híbrido sobre o outro lado de uma realidade que tem vindo a ser bastante explorada pelos meios de comunicação e, recentemente, pelo cinema. O filme de Wolting & Pallota introduz-nos a Mohamed, pirata da Somália e, assim, a um outro ponto de vista.
As cenas documentais mostram-no no presente, dividido entre as pressões familiares para abandonar a pirataria, o compromisso de assentar enquanto recém-casado e o regresso à pirataria. Surge aqui como um indívíduo banal, contrariando a imagem, ou heróica ou de vilão, que a maior parte dos filmes associa aos piratas. Estas cenas permitem um olhar sobre um país inacessível, bem como uma introdução ao seu passado recente de guerrilhas, às suas condições de pobreza extrema e à ascensão e queda da pirataria, enquanto prática aceite pelas suas comunidades.
A escolha da animação para explorar o passado de Mohamed prova-se acertada: dá mais liberdade criativa e visual aos realizadores. Constituindo uma parte mais pequena do filme, as excelentes sequências animadas (da autoria de Hisko Hulsing) em tons escuros e sóbrios, introduzem-nos a momentos chave do passado de Mohamed que podem ajudar a compreender o seu percurso e, ao mesmo tempo, a uma dimensão mais poética e onírica, que explora de forma simbólica as contradições desta personagem. Os realizadores conseguem também com o recurso às técnicas de animação uma reconstituição de episódios como os assaltos aos navios, sem ser necessário a reconstituição de imagem real, que talvez desequilibrasse o retrato “neutro” que pretendem compor. Se as sequências animadas introduzem a infância de Mohamed, a emoção dos assaltos e os seus fantasmas, o Mohamed de carne e osso permanece imperscrutável, um mistério que o filme não resolve. – Diogo Seno
“Pos Eso”, de Sam
(longa-metragem)
Espanha, 2014
Sátira provocante e brejeira aos clichés do cinema de terror (com referências diretas aos incontornáveis O Exorcista e O Génio do Mal, por exemplo), Pos Eso é uma comédia de terror com momentos incríveis e hilariantes, tanto na animação como no humor. Mas depois de um início formidável e de algumas cenas muito bem conseguidas, o filme começa a perder-se na sua própria sátira, quebrando o ritmo anteriormente obtido e partindo para situações e piadas que não conseguem resultar tão bem – o que faz com que o resultado final não seja tão agradável como se fazia prever.
A mistura entre o tradicional stop-motion e a animação CGI não resulta, e os últimos momentos do filme parecem ter sido despachados sem grande preocupação, o que danifica as boas intenções demonstradas pelo realizador e pelas suas inúmeras paródias cinematográficas. Mas no final, e depois de tantos e repetitivos momentos gore com os bonecos (temos direito a cabeças decepadas, braços arrancados à dentada, e tudo o resto), ficam na memória as boas gargalhadas que Pos Eso consegue proporcionar. No entanto não deixa de ser dececionante que este projeto, anunciado na edição anterior da Monstra com a exibição de dois clips do filme (na altura em pós-produção), seja o resultado nesta amálgama de ideias desequilibradas, e que poderiam ter sido trabalhadas de uma maneira mais interessante. – R.A.S.
“Memórias de Ontem”, de Isao Takahata
(longa-metragem)
Japão, 1991
Encontramos hoje em dia alguns territórios que verificam uma tendência de rejuvenescimento dos seus agricultores. Do outro lado do Atlântico, no estado americano do Maine um aumento de quase 40% no número de agricultores jovens num espaço de 5 anos (até 2012). Por cá, entre 2005 e 2010, a percentagem de jovens que compunham a força agrícola polaca, subiu da ordem dos 12 para a dos 15%. Portugal está na esteira da Europa, com o mesmo indicador a rondar os 3% (o problema, de acordo com o presidente da Associação de Jovens Agricultores Portugueses, é que a “agricultura é um sector que só aqueles jovens sem capacidade ou recursos financeiros procuram”).
Podemos encontrar explicações para este fenómeno moderno no desencanto com o ritmo de vida urbano, na incerteza do emprego e, afectando também a procura nos mercados, uma consciência ecológica, por vezes roçando naturalismo, que recusa os ditames das grandes corporações agrícolas: a produção com recurso a químicos e OGMs, ou as recentes propostas de patentear sementes.
É numa altura em que a agricultura biológica ainda não se afirmara que Isao Takahata lança Memórias de Ontem (1991), que nos seus reflexos de actualidade se revela visionário. Juntando-se a uma família rural que adopta como sua, Taeko, 27, participa na colheita do cártamo durante as suas férias laborais. Uma ode bucólica em que as reminiscências e anedotas contadas da infância simples e inocente (o espaço em branco abundante nestas ilustrações) de uma “outra Taeko”, marcada pela desilusão e incompreensão, se entremeia com uma excursão idílica ao campo (tanto charme no foco suave e vivacidade destas paisagens!). No negativo põe-se então à vista o que Taeko parece mancar na cidade. “Alegremente cansada, pensava nas apanhadoras de outros tempos” e, na apropriação de outras referências, Taeko vai construindo um novo caminho. O camponês Toshio oferece parelha amorosa e também o discurso ecológico – o cultivar recuperando o seu sentido de nutrir e preservar, por oposição a explorar, completa-o. De lamentar apenas que este discurso se perca em panfletismo monológico. A narração nostálgica, que nos guia por entre a memória e o presente, torna-se também a tempos fastiosa. Mas Takahata parece ter consciência disto e, assumindo o lamechas ao extremo, tempera o filme com momentos de escape cómico. Outro escape com os sketches humorísticos – destacamos aquele em que a família japonesa primeiro se depara com um ananás – e pedágogicos, de profundo interesse. O que aprendemos sobre a cultura do cártamo! – L.R.
“As Asas do Vento”, de Hayao Miyazaki
(longa-metragem)
Japão, 2013
Para o seu último filme, Hayao Miyazaki reservou uma pintura romântica de dois temas que admira: a sociedade nipónica antes da segunda guerra e os aviões de guerra. Aqui os horrores que, através deles, foram perpetrados pelo Japão não passam de sugestões; nas palavras da personagem de um exilado, Castorp, “aqui podemos esquecer”, reflectindo uma ainda hodierna representação enviesada deste período negro. Ao invés, a animação, bela, e uma banda sonora (Joe Hisaishi) que justamente a ladeia dão cor à carreira de Jiro Horikoshi, um engenheiro aeronáutico responsável pelo Mitsubishi A6M Zero. As Asas do Vento é então um filme em que Miyazaki promete leituras autobiográficas (insinuadas n’O Reino do Sonho e da Fantasia), mas também universais, sobre a corrupção da beleza e o destino dos homens – a sua eventual superação e inelutável acatamento. – L.R.
“Reino do Sonho e da Fantasia”, de Mami Sunada
(documentário)
Japão, 2013
Entrando nos estúdios Ghibli em 2012 e permanecendo até o limiar do ano seguinte – finalizavam-se então Asas do Vento e O Conto da Princesa Kaguya –, Mami Sunada planeava seguir Hayao Miyazaki, Toshio Suzuki (um o realizador, o outro produtor, do primeiro) e Isao Takahata (realizador do segundo), co-fundadores do estúdio. Mas, no seu Reino do Sonho e da Fantasia – um retábulo ternurento de peculiaridades e pormenores na rotina que encontra –, é Miyazaki quem sobressai. Retrata-se a pessoa generosa (todos os dias acena às crianças do infantário), mas também exigente (sem papas na língua, uma animadora adverte o interlocutor para que não se aproxime do realizador), caricata, mas em agonia (Miyazaki pergunta-se se o seu artifício doloroso não terá sido mais do que um hobby pomposo). É na sua aproximação tacteante ao génio do objecto que reside a força deste documentário. Se a sua demora poderá aborrecer alguns, não menos agradará aos aficionados do emblemático estúdio o documento que grava um momento conturbado da sua história (com Suzuki e em Gorō, filho de Miyazaki, encontram-se pistas para perceber a situação) e também o fim de uma carreira. – L.R.
O dia de abertura, foi assim:
A sessão de abertura da Monstra foi marcada por uma viagem pelos dois lados do Atlântico, neste que vai ser um ano de homenagem à América Latina. Com curtas nacionais e internacionais, acompanhadas por momentos musicais muito apropriados, a 15.ª edição do festival de cinema de animação iniciou-se com apresentações de alguns grandes convidados e de várias interessantes propostas. Entre algumas encomendas elaboradas precisamente para esta sessão, destaquem-se os vários (e muito criativos) separadores para promover a Monstra, feitos em vários cantos do mundo português e sul-americano, que utilizam técnicas e modelos variados de animação (desde o tradicional stop-motion até aos métodos tecnológicos mais avançados).
Houve também tempo para conhecer Juan Padrón, um dos nomes mais sonantes da animação argentinos, autor de várias animações que adaptam os famosos cartoons de Quino, entre outras comédias, e ainda, um jovem talento: Rita Basalto, que apresentou Lluvia en los Ojos, uma curta-metragem delicodoce e emocionante sobre a morte e a imaginação. Entre a descoberta de vários clássicos sul-americanos (como o primeiro filme de animação feito nesse continente), houve a memória portuguesa a misturar-se com os sons e sabores internacionais, e o desfecho da cerimónia foi feito com Pessoas, uma curiosa experiência visual que partiu dos manuscritos de Fernando Pessoa, os seus rabiscos e gatafunhos, interligando-os com os maiores símbolos dos heterónimos mais célebres do autor. Uma abertura muito interessante, e que desvendou uma parte das muitas surpresas que nos vai reservar este ano de Monstra. – R.A.S.

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