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Herberto Helder (1930-2015)

Texto: HELENA BENTO

Herberto Helder era considerado um dos maiores poetas portugueses contemporâneos. O seu último livro, ‘A Morte sem Mestre’, foi publicado no ano passado.

O poeta Herberto Helder morreu na segunda-feira, em Cascais, aos 84 anos. As causas da morte ainda não são conhecidas.

Nascido em 1930, no Funchal, numa família de ascendência judaica, Herberto Helder Luís Bernardes de Oliveira inscreveu-se, em 1948, na Faculdade de Direito de Coimbra, tendo-se mudado, ao fim de um ano, para a Faculdade de Letras, onde frequenta, embora sem terminar, o curso de Filologia Românica.

Trabalhou durante algum tempo na Caixa Geral de Depósitos e depois como angariador de publicidade, tendo regressado à Madeira em 1954. Um ano depois, já em Lisboa, começa a frequentar o grupo do Café Gelo, de que faziam parte Mário Cesariny, Luiz Pacheco, António José Forte, João Vieira e Hélder Macedo.

Em 1958, publicou o seu primeiro livro, O Amor em Visita, tendo vivido, nos anos que se seguiram, em França, na Holanda e na Bélgica, trabalhando como operário no arrefecimento de lingotes de ferro numa forja, criado numa cervejaria, cortador de legumes numa casa de sopas, empacotador de aparas de papéis.

Em 1960, assumiu a função de encarregado das bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Nos anos seguintes publicou A Colher na Boca, Poemacto e Lugar e Os Passos em Volta, compõe A Máquina de Emaranhar Paisagens, participa na organização da revista Poesia Experimental e publica Húmus, Retrato em Movimento e Ofício Cantante.

A participação num livro sobre o Marquês de Sade, anos depois, levá-lo-ia, em 1968, ao envolvimento num processo judicial que resultou no seu despedimento da rádio. Abandonado o jornalismo, dedica-se à publicidade e, mais tarde, à edição de livros, como diretor literário da editorial Estampa.

No mesmo ano, publica Apresentação do Rosto, O Bebedor Nocturno e Kodak e Cinco Canções Lunares. Viaja por Espanha, França, Bélgica, Holanda e Dinamarca. Em 1970, vai viver para Angola, mudança que marca também o seu regresso ao jornalismo. Nos anos seguintes publica, entre outros livros, Poesia Toda (obra que reúne toda a sua produção poética), Cobra, O Corpo, O Luxo, A Obra e Photomaton e Vox, A Faca Não Corte o Fogo e Servidões, sendo então reconhecido como um dos maiores poetas portugueses contemporâneos.

Em 1994, foi-lhe atribuído o Prémio Pessoa pela sua obra que, de acordo com o júri, iluminava a língua portuguesa. A distinção, uma das mais importantes atribuídas em Portugal foi, contudo, recusada pelo poeta, pelas mesmas razões por que sempre optou, ao longo da sua carreira literária, por se manter afastado do espaço mediático. Na altura, Herberto Helder pediu ao júri que não anunciasse o seu nome e que o prémio fosse atribuído a outro escritor.

No ano passado, em junho, publicou A Morte Sem Mestre, numa edição que incluía um CD com cinco poemas ditos pelo autor, que esgotou rapidamente, à semelhança do que acontecera com os livros anteriores.

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