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Cinema de Roberto Rossellini para (re)ver no Espaço Nimas

Dez filmes do período entre 1945 e 1959, um deles trazendo como extra uma entrevista filmada em 1971, propõem reencontros com um dos maiores cineastas de todos os tempos.

Ingrid Bergman em "Stromboli" (1950)

O Espaço Nimas acolhe a partir de hoje um ciclo dedicado ao cinema de Roberto Rossellini, com uma seleção de filmes que abarca um intevlalo de tempo entre 1945, o ano de Roma Cidade Aberta – filme fundador dos princípios do neorrealismo italiano –, e 1959, o ano de Índia, um olhar em episódios que parte de Bombaim para uma reflexão mais profunda sobre os sentidos da relação entre o homem e o mundo.

Todos os filmes deste ciclo serão apresentados em versões restauradas digitais, resultado de um trabalho que envolveu instituições como a Cinecitta Luce, CSC – Cineteca Nazionale, Cineteca di Bologna e Coproduction Office.

Hoje e amanhã, a abrir o ciclo, será apresentado O Amor (1948), um filme em dois segmentos – La voce umana e Il Miracolo –, com Anna Mangani e Federico Fellini no elenco, que faz a sua estreia em sala entre nós. Como complemento é exibido A Força da Razão, na verdade uma entrevista de Rossellini a Salvador Allende, filmada em 1971 por Emidio Grego e que tem aqui a sua estreia portuguesa. Professor universitário e presidente da Fundação Rossellini, Renzo Rossellini, filho do realizador, estará presente na sala para apresentar estas sessões. Esta sessão conjunta repete a 18 de abril.

Sábado é exibido O Medo, filme de 1954 adaptado a partir do texto homónimo de Stefan Zweig em que levanta o caso de uma relação extraconjugal e as ramificações (da culpa à chantagem) que pode desencadear numa mulher. Rodado em Munique, representou a quarta colaboração de Rossellini com Ingrid Bergman. Renzo Rossellini estará também presente para apresentar o filme que, já sem ele, repete depois nos dias 14, 15 e 24 de abril.

Domingo passa Alemanha, Ano Zero (1948), o filme que concluiu uma trilogia dedicada à II Guerra Mundial e aos seus efeitos sobre os cidadãos dos países envolvidos. Rodado in loco, na Berlim de então, o filme terá apresentação por Nuno Galopim. Repete dias 16, 17 e 28 de abril. Esta trilogia neorrealista abriu em 1945 com o histórico Roma Cidade Aberta, retratando ainda uma realidade dos tempos da ocupação nazi e focando atenções num resistente perseguido pela Gestapo. O filme passa dias 2, 3, 12 e 27 de abril. Paisà – Libertação (1946), o título intermédio desta trilogia mantém, como o filme do ano anterior, o foco em Itália, escutando em seis episódios ecos de um povo num tempo de libertação. Paisà – Libertação passa nos dias 6, 11 e 29 de abril. Pelos três filmes passam memórias de uma Europa devastada, revelando todos eles um trabalho efetuado sob condições precárias.

Entre os títulos a passar na primeira semana deste ciclo contam-se ainda a comédia A Máquina de Matar Pessoas Más (1952) – que passa segunda-feira, dia 30, e repete a 21 e 22 de abril – e o já acima referido Índia (1959), com primeira apresentação terça-feira dia 31 e repetições a 1 e 20 de abril.

A segunda semana acolhe três dos filmes que Ingrid Bergman rodou com Roberto Rossellini. Um deles é o histórico Viagem em Itália (1954), sobre a conjugalidade e o desmoronamento de um casamento com as ruínas de Pompeia como pano de fundo para algumas sequências memoráveis. O filme terá apresentação de Anabela Mota Ribeiro a 13 de abril. Será ainda exibido nos dias 5 e 25 de abril. Stromboli (1950), a primeira colaboração entre os dois – a história de uma refugiada que pelo casamento tenta garantir a sua liberdade – é tido como uma das obras-primas de Rossellini. A sessão de 9 de abril será apresentada por Nuno Galopim. O filme passa ainda nos dias 4, 10 e 26 de abril. Deste corpo de colaborações com a atriz conta-se ainda Europa 51 (filme de 1952), melodrama que acompanha as mudanças na vida de uma mulher burguesa na sequência da morte do filho, que passa nos dias 7, 8 e 19 de abril.

As exibições com apresentação correspondem sempre às sessões das 21.30 no Espaço Nimas.

A partir de 9 de abril este ciclo estará também em exibição no Teatro do Campo Alegre, no Porto.

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