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Feira Morta volta à Parede

Texto: HELENA BENTO

Apesar de ser uma “feira-extra” – a principal acontece em Lisboa, duas vezes por ano – promete “dizimar a zona da Parede”. Sim, dizimar. Decorre de 28 a 29 de março, na freguesia da Parede, em Cascais.

Mais concertos, mais editores, novas edições e uma performance. São estas as novidades da próxima Feira Morta, que decorre entre amanhã e domingo, das 14.00 às 22.00, na Sociedade Musical de União Paredense, na freguesia da Parede, em Cascais.

Pedro Saraiva, organizador da feira de edição independente desde 2013, explica que esta se trata de uma “feira-extra”. A feira principal, por assim dizer, acontece em Lisboa, duas vezes por ano, uma no verão, outra no inverno, “porque é aí que encontra mais público”. No entanto, com o crescimento da feira em Lisboa, “foram surgindo convites para sair da capital e mostrar os trabalhos fora da cidade”. O objetivo desta edição “extra” não é, portanto, “mostrar novidades” (novas edições), ou não é apenas esse, “mas sim tentar fazer um apanhado geral do que se tem feito ultimamente”, explica Pedro, ou “Sar”, como é conhecido entre os amigos.

Apesar disso, haverá espaço para lançamentos, como as da editora Chilli com Carne, e dos fanzines E Tudo o Comboio Levou, criado por Inês (SE.MENTE), com o objetivo de angariar fundos para recuperar parte do material de trabalho, desde o computador à mesa digital gráfica, que perdeu numa viagem de comboio, Cuntroll Zine (que reúne trabalhos de “artistas femininas”) e Processo de Contágio, projeto no qual colaboraram O Gato Mariano (blogue de críticas musicais ilustradas criado por Tiago da Bernarda) e o artista conhecido por GRÉC.

Catarina Domingues, artista plástica, lança também o seu mais recente livro, Aberto, que reúne uma série de impressões a linogravura, e do qual foram impressos dez exemplares, através da editora Façam fanzines e Cuspam martelos, que mantém desde 2006 com Tiago Baptista, também artista plástico. O livro de Catarina é, nas suas palavras, uma homenagem à filósofa e ensaísta María Zambrano (1904-1991), e um agradecimento por tudo o que esta lhe ensinou, a quem dedica não só as impressões (duas matrizes pintadas com um pincel de modo irregular e com várias cores), como também uma carta (“Carta a María Zambrano”), publicada numa das últimas palavras do livro: “Querida María, quero escrever-te, nessa urgência de te falar”.

Os concertos distribuem-se pelos dois dias, a partir das 17.00. No sábado, atuam os Sallim, MMMOOONNNOOO e Rabu Mazda, e no domingo é a vez dos Yan-Gant Y-Tan & 666mfRAS, Whom Framed Dalai Lama e unDJ MMMNNNRRG. A performance anunciada como novidade desta edição acontece no mesmo dia, pelas 16.00, mas ainda não se sabe em que irá consistir. “Os autores não desvendaram muito, mas disseram que se trata de um improviso relacionado com fanzines, como se fosse um espelho das edições que fazem”, explica Pedro, e lembramo-nos imediatamente das últimas linhas do press release que nos chegou à caixa de mensagens: “Não há plano maquiavélico sem surpresas, e a Feira Morta, que promete dizimar a zona da Parede, reserva o melhor para os que se atrevem a aparecer”. É mesmo assim, não a vale a pena insistir.

Também no domingo, a partir das 15.00, decorrem as “Conversas DIY”, com a presença da editora de música Cafetra Records, Qualbatroz, Xavier Almeida e Clube do Inferno.

No total, participam cerca de 20 editores. Além dos referidos, vão estar presentes o estúdio Carapau Amarelo, CENAS, Woodography, Serrote, Dogma, 1359, Banzai, El Pep e Zinkyou.

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