A ambição despropositada dos Nightwish
Texto: ANDRÉ LOPES
Prestes a alcançar as duas décadas de carreira, o percurso dos finlandeses Nightwish deixa-se marcar especialmente pelas opções artísticas que os fizeram passar de um projeto assente na folk acústica, para um dos maiores nomes do metal que encontra na orquestra o seu principal aliado. Desde o sombrio Century Child (2002) que a banda – e em particular, Tuomas Holopainen (teclista e compositor principal) – procura o equilíbrio entre a agressividade dos insistentes riffs de guitarra e a grandiosidade de arranjos sinfónicos que em muito devem às obras de Hanz Zimmer ou Danny Elfman. A esta visão cinematográfica da música orquestral, os Nightwish aliam uma forte presença vocal feminina, outrora operática (com Tarja Turunem a integrar a banda até 2005) e agora assegurada por Floor Jansen.
Endless Forms Most Beautiful surge como uma peça pouco original num percurso discográfico já maduro. A ambição continua com o reencontro da London Philharmonic Orchestra e do coro Metro Voices que colaboraram já nos anteriores Once (2004), Dark Passion Play (2007) e Imaginaerum (2011). São elementos que asseguram uma força inegavelmente robusta a faixas como Weak Fantasy ou Alpenglow, mas torna-se facilmente percetível que muito do que é aqui escutado, pouco mais será do que meras variantes de faixas de discos anteriores.
Logo a partir do início do alinhamento escutamos Shudder before the Beautiful e as suas várias semelhanças com Dark Chest of Wonders – canção que abria o álbum que os Nighwish assinaram em 2004. Padrões rítmicos, melodias vocais e arranjos de orquestra – são demasiados os elementos que assinalam tanto o permanente déja vu sonoro, como a noção clara de que esta se tornou uma banda que não arrisca. Élan relembra Nemo, e Yours is an Empty Hope procura fundir Romanticide com Master Passion Greed.
Numa banda que alcançou os seus resultados artísticos mais interessantes com momentos de evolução e maturação criativa (recordem-se Ever Dream ou Ghost Love Score), Endless Forms Most Beautiful é um momento infeliz que insiste em canções-fórmula já escutadas vezes sem conta. Com o momento mais experimental do disco a chegar com o início de Our Decades in the Sun, apercebemo-nos da forma contida com que Floor interpreta as canções (e quando sabemos, dos seus trabalhos anteriores, o quão versátil consegue ser enquanto vocalista).
O longo alinhamento inclui ainda a absurda The Greatest Show on Earth, que em 20 minutos inclui melodias de piano cíclicas, samples diversos (explosões, gaivotas, baleias…) e momentos de narração sobre a origem da vida e das espécies, num álbum que pretende assim ser conceptual nos seus últimos momentos. Sem coesão e sem lógica, ambição sem propósito.
Ainda que contando com uma execução e produção tecnicamente precisas; dos Nightwish já ouvimos muito melhor. Por mais magnífica que possa ser a orquestra e os arranjos que executa, não lhe cabe a si salvar canções que pecam pela forma banal com que foram escritas.
“Endless Forms Most Beautiful”
Nightwish
CD Nuclear Blast
2 / 5

Deixe um comentário