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André Tentúgal: “Uma boa canção tem necessariamente de me criar imagens mentais”

Texto: PEDRO PRIMO FIGUEIREDO

André Tentúgal é o cérebro que procura afirmar o nome We Trust no panorama pop nacional. “Everyday Heroes”, a novidade, motivou uma troca de ideias com o músico que é bem mais que isso.

Everyday Heroes é o novo disco do projeto We Trust e cruza melodias bem definidas a uma permanente busca pela perfeição pop. Este é o segundo longa duração do grupo. We Are The Ones e The Future são temas já amplamente mediatizados, mas o trabalho merece ser escutado como uma viagem, do princípio ao fim, num todo mais coeso e superior que a soma das suas partes. André Tentúgal, o músico mas também o realizador, e mais que isso, falou-nos dos seus heróis de todos os dias. E de Ágata.

Se alguém, que não te conhece, te perguntar o que fazes na vida, como respondes?
Geralmente, digo que tento ser feliz. Tendo a ir fazendo o que me apetece, tentando sobreviver com isso. Desde há alguns anos que me tem dado muito prazer trabalhar com imagem e, mais recentemente, a fazer música. Acho que a vida é curta de mais para não a tentarmos aproveitar ao máximo e da melhor forma. Não gosto de perder tempo.

Quem são os teus ‘Everyday Heroes’?
Para mim, os ‘Everyday Heroes’ são todos aqueles que acreditam em algo maior, que sonham e concretizam. São pessoas cujos valores tornam o nosso mundo num lugar um pouco melhor, mais tolerável. Conheço muitos, felizmente.

Musicalmente, que novos terrenos exploras neste disco?
Este disco foi maioritariamente composto ao piano, abandonando a composição à guitarra e, consecutivamente, o registo mais pop/rock do disco anterior. Decidi também gravar com uma orquestra sinfónica e incluir um coro infantil. Quis criar um disco intemporal, que não correspondesse a modas nem tendências, cuja mensagem pudesse também ela prevalecer ao longo dos tempos.

Que elementos deve ter uma boa canção? O que é que mais valorizas nas canções de quem escutas e, já agora, nas que escreves?
Para mim, uma boa canção tem necessariamente de me criar imagens mentais. Depois, a harmonia é algo que me fascina, a forma como os acordes se completam e constroem algo superior. Gosto que me digam que já se sente que uma canção é minha ou dos We Trust. Infelizmente, não consigo encontrar essa ligação no que faço nem ter o distanciamento para o detetar. Mas sem dúvida que, primordialmente, as canções que faço têm de me agradar a mim.

O teledisco que fizeste para o Rodrigo Amarante foi aquele que chegou a mais pessoas até hoje?
Penso que terá sido o vídeo que chegou a mais sítios, mas não ao maior número de pessoas. Mas o feedback internacional foi sem dúvida impressionante. Acho que o vídeo onde estive envolvido que chegou a mais pessoas foi curiosamente o primeiro de We Trust, Time (better not stop).

Há uns tempos partilhaste no Facebook um vídeo da Ágata. Explica-nos o porquê.
Não levo muito a sério o Facebook nem a vida virtual. Acho que cumpre propósitos profissionais e serve para distrair um pouco, sobretudo em momentos de procrastinação. A Ágata surge nestes últimos. É um vídeo que me faz sempre rir pela profunda carga de incredibilidade que gera em mim. É surreal que um vídeo, que terá sido gravado no início dos anos 1990, tenha uma linguagem tão sexual e conter uma coreografia infantil. Faz-me sempre pensar o que terá passado pela cabeça de toda a gente que esteve envolvida no vídeo.

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