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Eduardo Galeano (1940-2015)

Texto: JOÃO SANTANA DA SILVA

Morreu, aos 74 anos, um dos maiores poetas da história do Uruguai. Recebeu o Prémio Stig Dagerman em 2010, o cubano Prémio Casa das Américas em 2011 e o Prémio ALBA Cultural em 2013.

Morreu Eduardo Galeano, um dos maiores poetas da história do Uruguai. Segundo noticia o jornal espanhol El País, “numa cidade como Montevideu, onde todos se conhecem, era difícil guardar a informação” do frágil estado de saúde de Galeano, estando a notícia já a ser preparada nas várias redações pelo seu país fora. O escritor uruguaio tinha sido internado na passada sexta-feira, devido a um cancro no pulmão com o qual já batalhava há alguns anos. A 13 de abril de 2015, com 74 anos, não resistiu à doença.

Eduardo Galeano nasceu em 3 de setembro de 1940 em Montevideu, capital do Uruguai, no seio de uma família católica e da classe alta, de ascendência italiana, espanhola, galesa (o seu nome completo é Eduardo Hughes Galeano) e alemã. Apesar das raízes confortáveis, trabalhou em profissões tão variadas como operário fabril, desenhador, pintor de letreiros, dactilógrafo e caixa de banco. Mas o que ele queria mesmo ser era jogador de futebol. E é fácil perceber. Basta ler um dos seus livros mais importantes – simultaneamente, o que é inédito, um grande livro de prosa poética e a mais bela obra jamais escrita sobre futebol –, o imortal El fútbol a sol y sombra, publicado em 1995 (publicado por cá pela defunta Livros de Areia).

A política também ocupou uma parte grande da sua vida, tendo assumido publicamente a sua predileção pela corrente socialista e não tendo receio de criticar o poder. Terá sido isso que o levou ao exílio na Argentina quando se deu o golpe militar de 27 de junho de 1973, que instaurou uma ditadura militar no Uruguai, que sobreviveu até 1985. Mas a grande razão desse exílio estará, mais especificamente, no livro que publicou em 1971, Las venas abiertas de América Latina, talvez a sua obra mais política e com o qual conquistou muitos admiradores, já que lá critica quem, ao longo da história da América Latina (desde a colonização) derramou o sangue que correu nas “veias abertas” do continente: os capitalistas e os norte-americanos.

Menos político, e voltando à sua mestria poética, publicaria posteriormente – por entre os mais de quarenta livros que escreveu ao longo da vida – aquela que é, por muitos, considerada a sua grande obra, ultrapassando as fronteiras do Uruguai e tornando-se um mapa histórico do continente, num feito verdadeiramente cosmogónico: a trilogia Memoria del fuego, uma obra poético-histórica sobre a história da América Latina, publicada entre 1982 e 1986 (por cá, a Livros de Areia traduziu o primeiro desses três livros, em 2011).

Recebeu o Prémio Stig Dagerman em 2010, o cubano Prémio Casa das Américas em 2011 e o Prémio ALBA Cultural em 2013. Para sua felicidade, conseguiu regressar à sua cidade natal Montevideu após a queda da ditadura, em 1985, onde também acabou por perder a vida, 74 anos depois.

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