Últimas notícias

O mundo idílico de Luiz Vasquez

Texto: FRANCISCO GONÇALVES SILVA

Luiz Vasquez isolou-se nos subúrbios montanhosos a norte de Veneza para criar o álbum mais introspectivo dos The Soft Moon até à data.

Formados em 2009 em Oakland, na Califórnia, e com três álbuns editados pela Captured Tracks, os The Soft Moon já contam com um percurso notável na adaptação e construção de sonoridades com o intuito de criar um cunho e uma identidade, porém ainda longe de se consumar.

Deeper, o recém-editado álbum, demonstra uma maior detalhe no cruzamento de identidades, de onde sobressaíram, com maior evidência, uma clara influência do pós-punk, krautrock e do darkwave minimalista, dando destaque desta vez a uma produção mais nítida e menos grosseira.

Houve a possibilidade dos The Soft Moon nunca chegarem a ser ouvidos. Do anterior Zeros (de 2012) para este novo disco, o mentor do projecto afirmou que que Deeper seria introspectivo e sobre a influência da solidão no indivíduo. Maurizio Baggio, produtor italiano que também trabalhou com a cantautora norte-americana EMA, permitiu, com a sua colaboração, que Luiz Vasquez se concentrasse no processo criativo com ainda maior rigor.

Com diversas visitas à vida noturna de Berlim e um retiro para a região norte de Itália, de onde o veterano Giorgio Moroder é nativo, o cantor tinha como principal objectivo a elaboração de um álbum de raiz e todo ele moldado, desde o principio, num mesmo estúdio. Zeros e até mesmo o homónimo disco de estreia (de 2010), foram escritos na estrada ao longo das diversas e demoradas digressões.

Black, a primeira parcela de um álbum composto por 11 canções, repesca um universo já atravessado por Trent Reznor dos Nine Inch Nails em 1994, ano da edição do icónico The Downward Spiral, que serve de ligação a canções como Far ou mais adiante Wasting. Nelas podemos também encontrar fortes traços de influência do rock gótico, género popularizado por bandas como os Bauhaus, Clan of Xymox e até mesmo os The Sisters of Mercy.

Há também, em Desertion, uma breve passagem por outro tipo de sonoridades, rompantes e mais agressivas, que transportam quem ouve este novo registo para um universo já explorado por bandas como os Deftones (na era de White Pony) ou Korn.

Uma tentativa agradável, mas pouco inovadora, Deeper demonstra ser um álbum metodicamente pensado e com uma tarefa: mostrar o lado mais lírico e emocional de Vasquez, inserindo-se novamente no seu idílico mundo negro. E ali as camadas de ruído sintetizado dialogam de facto com a sua sensibilidade enquanto compositor e autor. Cumpre o seu objectivo? Sim, apesar de não se superar.

The Soft Moon
“Deeper”
Captured Tracks /Popstock!
3 / 5

Deixe um comentário