Francis Ford Coppola galardoado com o Prémio Princesa das Astúrias das Artes
Texto: HELENA BENTO
Francis Ford Coppola foi distinguido esta quarta-feira, em Oviedo, Espanha, com o Prémio Princesa das Astúrias das Artes. O júri do galardão justifica a atribuição do prémio ao realizador de Apocalipse Now considerando-o “um narrador excecional” e um “renovador tématico e formal”, que ocupa “um lugar proeminente na História do Cinema”.
Ainda segundo a ata do júri, lida pelo empresário José Llado, a carreira de Coppola tem sido “uma luta contínua para manter a total independência empreendedora e criativa em todas as vertentes que desenvolveu enquanto diretor, produtor e argumentista”.
O realizador de Apocalipse Now e da trilogia O Padrinho “tornou-se um realizador imprescindível para perceber a transformação e as contradições da indústria e da arte cinematográficas, para cujo crescimento contribuiu de forma decisiva”, disse o júri, acrescentando que os filmes de Coppola exploraram a natureza do poder e “os horrores e o absurdo da guerra”, transcendendo a sua obra artística e tornando-se “ícones coletivos e universais do imaginário e da cultura contemporâneos”.
Nascido em Detroit em 1939, Francis Ford Coppola realizou mais de 30 filmes, escreveu outras tantas dezenas, e produziu mais de 70. Venceu vários prémios ao longo da sua carreira, incluindo seis Óscares (um deles honorífico), quatro Globos de Ouro e duas Palmas de Ouro.
O seu mais recente filme, Twixt, de 2011, é sobre um escritor, Hall Baltimore, cuja carreira literária se encontra em declínio mas que apesar disso, ou por causa disso, decide embarcar numa digressão para promover o seu novo livro. Chegado à pequena cidade Swan Valley vê-se envolvido num crime que envolve uma jovem e que terá de resolver.
Atualmente, Coppola encontra-se a trabalhar num filme, ainda sem título, sobre dois jovens italo-americanos. Ocupa ainda o seu tempo com um restaurante em São Francisco, que dirige, e cujos proprietários são Robert de Niro e Robin Williams (falecido no ano passado), e com uma vinha na Califórnia.
Criado em 1981, o Prémio Princesa das Astúrias das Artes, que vai já na 35ª edição, é atribuído àqueles “cujo trabalho na área do cinema, teatro, dança, música, fotografia, pintura, escultura, arquitetura e outras manifestações artísticas tenha contribuído de forma relevante para o património cultural da humanidade”.
Constituído por uma escultura de Joan Miró (acompanhado de um diploma e insígnia), e uma verba de 50 mil euros, o prémio vai ser entregue no outono numa cerimónia presidida pelos reis de Espanha.
O galardão já distinguiu figuras como Luis Garcia Berlanga, Pedro Almodóvar, Woody Allen, Michael Haneke, Norman Foster, Bob Dylan e Óscar Niemeyer. No ano passado venceu o arquiteto norte-americano Frank O. Gehry.

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