O Brasil chega a Alcântara com o Doc no Rio
Texto: RUI ALVES DE SOUSA
Antes de mais uma edição do DocLisboa, a cidade acolhe nos próximos dias uma série de documentários chegados do Brasil. Esta é uma iniciativa que tem como um dos seus objetivos o de aproximar o cinema independente brasileiro do público português.
Aproveitando o tempo convidativo deste fim de semana para sair de casa e aproveitar o serão, o Doc no Rio propõe cinema na rua na Gare Marítima de Alcântara. Com curadoria de Maria Mendes, este pequeno festival ao ar livre inclui uma seleção de quatro curtas e três longas-metragens documentais que são, na sua maioria, inéditas no circuito nacional.
O primeiro dia do Doc no Rio começa com a curta Vinil Verde, de Kléber Mendonça Filho. Realizado em 2004, é um dos primeiros trabalhos do autor, que se inspirou em La Jetée, de Chris Marker, para criar uma adaptação livre de uma fábula russa. Também de 2004 é a segunda curta desta sessão de abertura: Da Janela do Meu Quarto, de Cao Guimarães, uma experiência fílmica que foi fruto de um acaso do quotidiano. Há por fim a longa da noite, de Petra Costa, e que se intitula Elena. De 2012, é um documentário premiado sobre a vida da atriz Elena Andrade (irmã da realizadora), que faz uma reflexão profunda e sensível sobre a memória e a dor da perda.
No segundo dia há mais uma curta para ver: Lençol Branco, de Juliana Rojas e Marco Dutra, de 2003, ano do início de atividade desta dupla de realizadores. É uma história ficcional sobre uma mulher que tem de lidar com a presença da morte. E de seguida há a longa Sinfonia de Necrópole, realizada também por Rojas em 2014. Um filme que volta a lidar com a morte, mas através do espírito do humor negro.
O dia de encerramento do Doc no Rio inicia-se com Fantasmas (2009), de André Novais. Primeira curta do realizador, é uma narrativa realista e peculiar contada num único plano sequência. A acompanhar este filme segue-se a última longa do festival, A Cidade é Uma Só?, de 2011. Nesta obra, o realizador Adirley Queirós (cujo último trabalho, Branco Sai Preto Fica, pudemos ver no último DocLisboa) propõe uma reflexão sobre os 50 anos de Brasília, abordando os vários problemas que rodearam a cidade.
São três dias de sessões de cinema ao ar livre, com entrada gratuita, para aproveitar na Gare Marítima de Alcântara, a 26, 27 e 28 de Junho. Os frequentadores do Doc no Rio poderão aproveitar o bar e a zona de restauração localizadas no espaço a partir das 18 horas, para depois poderem assistir às sessões, que têm início entre as 21.30 e as 22 horas.

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