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Omar Sharif (1932-2015)

Os ecrãs do Egito tinham já visto o seu rosto em quase duas dezenas de papéis quando, em 1962, surgiu, de trajes negros, vestindo a pele do Sherif Ali, contracenando com o estreante Peter O’Toole em Lawrence da Arábia, de David Lean. Uma das mais impressionantes das grandes produções da história do cinema, e uma das primeiras a levar a ecrãs do mundo inteiro momentos determinantes da história da construção política daquela região na primeira metade do século XX, o filme deu a Omar Sharif um dos seus mais inesquecíveis papéis, valendo-lhe mesmo uma nomeação para Melhor Ator Secundário e dois Globos de Ouro. Três anos depois a adaptação, novamente por David Lean, do romance de Boris Pasternak Doutor Jivago inscrevia-o na galeria dos grandes atores da sua geração. Após longa carreira, que em 2013 o viu ainda desempenhar um papel secundário em Rock The Cashbah, uma produção franco-marroquina com realização de Laïla Marrakchi, morreu hoje, aos 83 anos, no Cairo, vítima de um ataque cardíaco.

Nacido em Alexandria em 1932 com o nome Michel Demitri Chalhoub, era filho de uma família cristã de ascendência libanesa e trilhou um caminho pelas matemáticas e física (que estudou na Universidade do Cairo) antes de tomar as rédeas dos negócios do pai – um vendedor de madeiras preciosas. O sonho de um dia ser ator só começou a ganhar forma mais tarde, quando de mudou para Londres para, então, se matricular na Royal Academy of Dramatic Art e estudar algo completamente diferente.

Estreado localmente em 1953 e com passaporte internacional depois da notoriedade conquistada em Lawrence da Arábia, desenvolveu uma carreira eclética e intensa, que o viram passar até pelos universos do cinema musical ou a comédia (respetivamente em filmes como Funny Girl ou Top Secret).

Além do cinema ganhou reputação como jogador de bridge, desenvolvendo mesmo uma carreira em paralelo como jogador e chegando mesmo a assinar uma coluna crítica na imprensa. Foi depois autor de livros sobre bridge e, na alvorada da indústria dos jogos de computador, esteve ligado ao desenvolvimento de alguns projetos neste domínio.

A projeção global que conheceu logo em 1962 fez dele o primeiro ator de origem árabe a tornar-se numa estrela mundial do cinema. Entre os muitos prémios que recebeu conta-se, em 2005, a primeira medalha Sergei Eisenstein, atribuída pela UNESCO a figuras que tenham contribuído para a diversidade e o diálogo entre os povos no mundo do cinema. – N.G.

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