A era da Internet em comunhão com as pistas de dança
Texto: FRANCISCO GONÇALVES SILVA
Em pleno ano 2015 temos consciência do poder da Internet e dos media na ascensão e na decadência da fama, bem como na formação de bandas fenómeno. Tendo Londres como casa, os Years & Years, depois de editarem numerosos singles e EPs pela mão da editora francesa Kitsuné, ganharam também, num curto espaço de tempo, o prémio BBC Sound of 2015 e uniram-se à Polydor Records para editar, finalmente, Communion, o seu álbum de estreia.
Mickey Goldsworthy trocou a Austrália pelo Reino Unido e após conhecer, Emre Turkmem, o produtor, na internet, chegou a Olly Alexander, o seu futuro vocalista. Decidido de forma consensual depois de o ouvirem de forma improvável, enquanto cantava no banho, formaram-se em 2010 os Years & Years, na altura ainda um quinteto, contando com a presença de Noel Leeman e Olivier Subria.
Numa altura em que a pop dançável volta a ser redescoberta, agora com uma nova cara, novas influências e, principalmente, melhores formas de produção, são singles como King, Take Shelter ou Desire, fortemente influenciados pelo R&B que fez sucesso em décadas passadas, que permitem revolucionar, em parte, aquilo que se quer ouvir nas pistas de dança, dando outra vertente à actual obsessão pela electronic dance music (EDM), juntando-lhe nuances da new wave e do synthpop e algumas ideias que artistas, como Justin Timberlake e Anthony Gonzalez dos M83, já pisaram e trabalharam.
Communion, enquanto conjunto de canções, deixa a impressão de que tudo o que já ouvimos anteriormente editado pelos Years & Years, nomeadamente os primeiros EPs, não acrescenta mais detalhes à sua música, onde apenas os singles com mais sucesso, com excepção de Memo, a balada já quase a encerrar o álbum, se destacam.
Já marcaram a diferença e primaram por acrescentar à pop contemporânea em formato boy band uma nova perspectiva e mostraram que são capazes de criar canções simples, não sendo possível ficar indiferente aos cativantes refrões e à melódica voz de Olly Alexander.
Se se vão ficar por aqui, não sabemos, tendo em conta que o percurso do trio ainda é curto. Poderão resistir e têm potencial para o fazerem, mas apenas o tempo dirá se são apenas mais uma banda incluída numa vaga criativa ditada pela Internet ou se realmente têm talento, disciplina e método de trabalho suficiente para vingar no actual mundo da indústria discográfica.
Years & Years
“Communion”
Polydor Records / Universal
3 / 5

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