Últimas notícias

LISB_ON: um primeiro dia com resultados variáveis

Texto: ANDRÉ LOPES

Após o primeiro dia, refletimos sobre o que vimos nesta festa que, ao ocupar o parque Eduardo VII durante um fim-de-semana, pretende colmatar uma falha na oferta de festivais de música em Portugal.

Foto: Francisco Gonçalves Silva

Durante o primeiro dia de LISB_ON foi fácil perceber que se trata de facto de um evento único. A partir do início da tarde, era considerável a diversificação de gerações, faixas etárias e nacionalidades daqueles que vieram à descoberta deste “jardim sonoro”, sendo de louvar a envolvência natural conseguida com a localização do recinto num local tão emblemático da cidade de Lisboa. A gama invulgarmente larga de oferta em termos de restauração e os ritmos das primeiras atuações do dia, fizeram com que este fosse o sítio ideal para uma tarde de fim-de-semana.

As escolhas de Isilda Sanches e a invulgaridade dos Fandango ajudaram em muito a que este fosse um arranque de festival a acontecer de forma pacífica, no qual o espírito de celebração de final de verão se foi propagando graças a um contexto vespertino onde o ritmo não cessa, mas que nunca se impõe à harmonia que se fez viver entre os presentes. O LISB_ON acaba por surpreender exatamente pelo ambiente tão pacífico e relaxado que consegue criar no centro da capital.

Porém, perante a acrescida afluência de público que se começou a fazer sentir por altura da atuação dos Mirror People, começaram a notar-se problemas maiores na logística e acessos ao recinto. A extensa fila para entrar no festival, que se estendia quase até à zona da Estufa Fria, tornou-se excessivamente demorada de resolver. Para além disso esta significativa afluência de público, já prevista pela organização, revelou problemas no pagamento de serviços dentro do recinto, que são feitos por via de uma pulseira que deve ser pré-carregada. Foi este o conjunto de elementos que geraram algum desânimo entre parte do público que se viu presa em filas durante o DJ set de Nicolas Jaar.

Eventualmente o melhor momento deste primeiro dia de festival, o músico nova-iorquino conseguiu prender a atenção do público desde o início do seu set, a partir de uma introdução bem-trabalhada que levou a um pertinente exercício de manipulação de Os Vampiros, de José Afonso, aqui presente via sample. O techno ora minimal ora contemplativo de Nicolas Jaar assinalou o melhor fim de tarde possível. A noite ficou a cargo de Nina Kraviz, que não deu descanso ao público do LISB_ON enquanto não deixou bem assente que a competência enquanto DJ não se pauteia pelo género.

Para hoje, segundo dia de festival, tal como alinhamento comprova, deixa antever um certame mais heterogéneo, que irá desde o jazz ao nu-disco:

14h00: Rui Miguel Abreu (DJ set)
15h00: Mr. Herbert Quain (live)
16h00: Andras & Oscar (live)
17h20: Jazzanova Live e PaulRandolph (live)
19h00: Todd Terje (live)
20h15: Michael Mayer (DJ set)

Nos bastidores
Ontem, antes de subir ao palco, Nicolas Jaar confessava querer tocar a canção por achar que “o mundo está muito pior hoje do que em 2012 e é preciso fazer alguma coisa para mudar isso”. Apesar do início em tom sério, o set prosseguiu em registo pista de dança alimentado sobretudo a edits de disco sound feitos pelo próprio Jaar que afirmou também considerar o disco um género “profundamente político, que, apesar de nos fazer dançar é musica que vem da luta e do sofrimento da comunidade gay“. No final do set, reforço da mensagem política com Lydia Lunch, uma das figuras mais importantes da cena punk, ainda politicamente ativa atualmente, e cujo álbum de spoken word “Conspiracy of Women”, gravado em Berlim em 1990, foi reeditado em vinil este ano pela Other People, editora de Nicolas Jaar. ” A Lydia (Lunch) é uma pessoa incrível e muito inspiradora, tenho muita pena que quase ninguém saiba quem ela é como o seu trabalho é importante, por isso fiz questão de reeditar este disco” afirmou. A Other People deverá lançar também um álbum ao vivo de Teenage Jesus and The Jerks, o influente grupo de Lydia Lunch nos anos 70. – I.S.

Deixe um comentário