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O regresso de M. Night Shyamalan

Texto: RUI ALVES DE SOUSA

Usando o registo “found footage” o novo filme do realizador de “A Vila” fez a abertura do MOTELx e chega agora às salas de cinema portuguesas.

Já passaram mais de 15 anos desde que O Projeto Blair Witch estreou nas salas de todo o mundo (Portugal incluído), e desde então, muitas têm sido as cópias do estilo e intenções desse marco do cinema de terror do final do segundo milénio. Impulsionou o género “found footage”, uma espécie de terror mais realista, filmado de forma aparentemente amadora para esse efeito, e que até hoje, não pára de gerar reformulações, através de diversos franchises e plágios – e a maioria dessas espécies de “sequelas” acaba por falhar, já que são raros os casos que conseguem ser credíveis na sua manipulação dessa falsa veracidade.

A Visita, que foi o filme de abertura da edição deste ano do MotelX, é um projeto independente e autofinanciado do realizador M. Night Shyamalan, anteriormente conhecido pelos filmes O Sexto Sentido e A Vila, mas mais conotado, na atualidade, por fracassos colossais como o caso de O Último Airbender. No entanto, e apesar da aura pessimista que se formou à volta de Shyamalan, A Visita é uma pequena e interessante surpresa, já que este é um desses filmes que consegue utilizar o “found footage” para construir uma premissa mais interessante do que as aparências poderiam demonstrar. E ao conseguir equilibrar comédia e sustos em doses igualmente deliciosas, faz surtir um efeito estranho no espectador, embalado pelos risos reconfortantes proporcionados pelas ações de dois irmãos, mas que ao mesmo tempo, não deixará de ser surpreendido pelo ambiente surreal que os rodeia, numa viagem a casa dos avós maternos que pode ter resultados diferentes do que os miúdos pensavam.

Frágil na sua narrativa propositadamente difusa e convencional, A Visita convence pela interessante forma como joga com as emoções do espectador, e pela perspicácia da conjugação dos elementos do “found footage” e o terror que estes podem proporcionar. Não é um filme original ou relevante para a modernidade, mas marca o regresso de Shyamalan a territórios mais adultos, proporcionando um filme com algum terror e, acima de tudo, com bom divertimento.

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