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Luís XIV e Versalhes no centro das atenções

Texto: NUNO GALOPIM

Os 300 anos da morte do rei e uma exposição nova no Palácio de Versalhes são motivo de destaque em algumas revistas.

A efeméride assinalou-se em setembro, mas só agora ganha visibilidade maior graças a uma exposição que abriu as portas há poucos dias numa das alas do Palácio de Versalhes. Com o título Le Roi est Mort, a exposição evoca a morte de Luís XIV, o monarca que ordenou e acompanhou de perto as principais campanhas de transformação e alargamento do palácio nascido de uma antiga residência de caça de Luís XIII nos arredores de Paris. Juntando objetos e imagens da época, a exposição recorda não apenas a cronologia do último mês de vida do Rei Sol, então com 77 anos, como traça os dois meses de cerimónias fúnebres que se seguiram, evocando ainda grandes figuras daquele tempo e lembrando como foram outros grandes funerais de Estado nos dias a que a memória ali aponta os azimutes. À visita a esta exposição, que estará ali patente até 21 de fevereiro, aquele que passar pelo Palácio de Versalhes pode passar, no percurso central pelos Grands Apartements, pelas salas diretamente ligadas à história destes últimos dias de vida do rei e daqueles que se lhe sucederam. Ao quarto (que corresponde à mais central de todas as divisões do edifício, e com varanda sobre a Cour de Marbre), onde esteve acamado desde o dia 24 de agosto de 1715 (e onde lhe foi diagnosticada uma gangrena, na sequência de uma queda dada alguns dias antes em Marly) e no qual deu o último suspiro na manhã de 1 de setembro, junta-se a já antecâmara contígua conhecida com o nome Oeil de Boeuf, onde foi feita depois a autópsia. Não muito longe fica o recentemente restaurado e remobilado Salon de Mercure, onde o corpo foi colocado depois de preparado para ser velado. Estas memórias, umas evocadas logo em setembro, outras lembradas mais recentemente pela inauguração da exposição, foram motivo para uma série de edições especiais de várias revistas.

Editada pelo próprio palácio, a revista (trimestral) Château de Versailles dedica a capa do nº 19 à morte de Luís XIV e ao traçar de um panorama do que era a França em 1715. Além de um artigo detalhado sobre a morte do rei esta edição recorda momentos e hábitos de conduta do seu tempo registados em almanaques da época, explica (numa entrevista com a diretora do museu) o que resta no palácio dos tempos de Luís XIV, observa detalhadamente o retrato em cera que Antoine Benoist fez em 1705 e que é tido como a mais fiel das representações do rei e faz depois um panorama histórico desse ano de transição dos reinados de Luís XIV para Luís XV (na verdade iniciado sob regência de Philippe de Orleáns). Além do percurso dedicado a Luís XIV e o seu tempo, por esta edição há ainda um olhar detalhado sobre as porcelanas da Sala de Jogos de Luís XVI e um outro pelas Galerias Históricas com as quais o último rei de França, Luís Filipe, iniciou o processo de musealização do palácio quando ali criou, em 1833, as bases para um Museu da História de França.

A morte de Luís XIV tinha motivado já um dossier na edição de junho da revista Point de Vue – Histoire que então não só fazia o mesmo relembrar da cronologia do fim de vida do monarca, como juntava depois artigos sobre a Madame de Maintenon, o testamento do rei, o regente Philippe de Orleáns e um outro sobre a diplomacia francesa de então, concluindo o conjunto de páginas com um trabalho sobre uma antiquária parisiense especializada na arte deste período.

Mais recente é uma edição especial da Valeurs Actuelles, que mostra como título de capa “Les Secrets de Versailles”. Trata-se de um número mais convencional sobre a história do palácio, dos seus habitantes e das suas memórias e não, necessariamente, um trabalho focado em 1715 e nos tempos do fim do reinado de Luís XIV. Cronologicamente arrumados, os artigos que fazem esta edição especial recordam a construção do palácio, dos jardins e das fontes, evocando figuras como Le Nôtre (o arquiteto paisagista) ou Nicolas Fouquet (o “ministro” das Finanças), além do rei e seus sucessores. Há ainda olhares focados nos dois Trianons, nas salas de ópera e capelas, pelo quotidiano do palácio, por objetos que o tempo perdeu, a construção do primeiro museu ainda no século XIX e até mesmo as expressões de vida do edifício já sob o regime republicano, lembrando aí algumas das cerimónias oficiais que Versalhes acolheu. Esta revista junta ainda no final uma expressiva lista de novos lançamentos em livro que dão conta de quão fértil continua a ser este terreno.

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