The Space Lady estreia-se hoje na Galeria Zé dos Bois
Texto: JOÃO MOÇO
A história de Susan Dietrich, ou melhor, The Space Lady, é, no mínimo, peculiar, mas seria uma pena que os contornos da sua vida pessoal, que certamente enformam parte da sua música, ofuscassem a atenção dada à sua abordagem musical. Hoje vai estrear-se na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, uma oportunidade única para apreender a sua música por inteiro, sem a barreira do fetichismo.
Em 2014 o The Guardian elegeu o seu The Space Lady’s Greatest Hits (título obviamente irónico para uma artista que fez da rua o seu palco durante tantos anos) como um dos discos mais estranhos que se podem encontrar no Spotify. Uma breve pesquisa online dá conta do percurso desta hippie que afirma ter tido contacto com seres alienígenas quando estava sob o efeito de uma anestesia, que viveu isolada numa caverna com o então marido Joel, com quem compôs canções e fez trips com ácidos, esta mulher que durante anos tocou nas ruas de São Francisco e Boston munida apenas de um simples teclado Casiotone MT40 e um capacete com asas, e que mais tarde se tornou enfermeira.
A sua música começou por chamar a atenção dos mais atentos quando um dos seus temas foi selecionado para a compilação Songs in the Key of Z. Mais tarde veio a reunir as suas canções e versões na coletânea The Space Lady’s Greatest Hits, editada há dois anos, e agora, aos 67 anos, goza de uma aclamação que dificilmente a própria adivinharia.
A forma como alterou o seu Casiotone para o transformar num instrumento capaz de sons transcendentais, uma música cósmica no verdadeiro sentido do termo, sem contexto territorial ou temporal que se lhe queira impor, é algo de fascinante, tal como a sua voz e os seus contantes ecos, que ganham uma dimensão catártica. Mesmo quando se entrega a versões de canções como Major Tom, de Peter Schilling, Ballroom Blitz, dos Sweet, Born to Be Wild, de Steppenwolf, Ghost Riders in the Sky, dos Suicide, ou Fly Like An Eagle, de Steve Miller, a sua abordagem é de uma idiossincrasia desarmante e, por momentos, esquece-se a autoria original dessas canções, que passam a ser outras.
Na primeira parte de The Space Lady atuará Raw Forest, alter-ego de Margarida Magalhães. Os concertos começam às 22h00 e os bilhetes custam oito euros.

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