11 perguntas a… António Filipe Pimentel
1. O primeiro disco comprado.
Com o meu dinheiro consciente: o álbum completo da Lucia di Lamermoor, de Donizetti, com Anna Moffo na voz de Lucia. Hoje Donizetti está longe de ser um compositor de eleição, mas agradeço à extraordinária responsável da discoteca da Livraria Almedina (depois extinta) o despertar da minha paixão operática.
2. O filme mais marcante visto na infância.
Não sei se é o mais marcante, mas vi várias vezes o Aniki-Bóbó de Manoel de Oliveira, que, por alguma estranha razão, a RTP repetia e que me produzia também um efeito estranho e magnético. Teve o mérito de me iniciar à obra do mestre. Entretanto, com 9 anos, acompanhei uma das minhas irmãs ao cinema a ver o E Tudo o Vento Levou e o efeito mais estranho que me produziu foi que após uma hora e meia ainda só estávamos a meio… – para um miúdo de 9 anos que não se entusiasmou muito com a história, a experiência foi assaz marcante…
3. Um livro que tenha mudado a vida.
Os que resultaram das minhas teses de mestrado e doutoramento: pesados palavra por palavra, fui um antes e outro depois de cada um deles. Nenhum outro me mudou tanto, mas muitos contribuíram para que tivesse mudado ao escrevê-los.
4. Uma série para rever.
Uma série que revejo, ritualmente: Reviver o Passado em Brideshead.
5. O mais recente filme visto no cinema.
Diário de Uma Criada de Quarto, de Benoît Jacquot.
6. A canção que mais vezes foi escutada.
Impossível responder. Dependeu muito das fases da vida, pelo que é difícil ter um palmarés organizado. De qualquer modo, se tivesse de levar uma escolha apertada para o resto da vida numa ilha deserta, levaria obras como o Concerto n.º 2 para piano e orquestra de Sergei Rachmaninov, nunca uma canção de que não tardaria a saturar-me.
7. O livro a ser lido neste momento.
História de Antiguidades, de Anísio Franco, entremeado com O Livro Aberto. Leituras da Bíblia de Frederico Lourenço. São de dois grandes amigos e em ambos se trata de uma revisita de textos já parcialmente lidos, agora felizmente saídos em conjunto. Cada um em seu registo, dois livros notáveis.
8. O músico preferido.
Com muitas, muitas hesitações, mas pela extensão e versatilidade da obra e pelo que já aponta de caminhos futuros, Mozart. Como diz um amigo meu, malgrado a boutade, se não tivesse morrido tão novo Beethoven não teria existido…
9. O autor com mais livros lidos.
Deve ser Camilo Castelo Branco ou Agatha Christie, pela sua prolixidade. Mas, justamente, li e tenho todos os livros de Frederico Lourenço. Como li (e reli e releio) todos os Eça (mas nunca os contei…). Francamente uma pergunta difícil…
10. O mais recente concerto.
Elizabete Matos em São Carlos. Desgraçadamente, perco a maior parte dos bons concertos por indisponibilidade de agenda. Mas gostava de assinalar, neste ano que findou, o dos 60 anos da Fundação Gulbenkian, dirigido por Joana Carneiro e onde foi possível ouvir o notável Stradivarius do Rei Dom Luís I, cedido pelo Museu da Música.
11. Um museu ao qual sabe sempre bem voltar (como visitante, claro).
Já não consigo, por razões óbvias, ter a atitude de “visitante”: apenas me ponho na sua pele. Pela proximidade geográfica (que permite visitas recorrentes) e utilidade da visita, inquestionavelmente o Prado. A extensão e qualidade das coleções torna-o inesgotável, entre descoberta e redescoberta, e dá o maior prazer ver uma máquina bem pensada e bem oleada a trabalhar bem no registo que, em meu entender, é o correto para um museu público. Museograficamente tem ainda muito a fazer, mas o gigante está vivo e recomenda-se. Acaba de inaugurar o novo website que é toda uma (feliz) revolução.

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