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11 perguntas a… Luís Pinheiro de Almeida

Autor de “Biografia do Yé Yé” e coautor de “Beatles em Portugal”, Luís Pinheiro de Almeida fala hoje dos seus discos, filmes, livros e séries de televisão.

1. O primeiro disco comprado
O primeiro disco que comprei, com o meu próprio dinheiro, foi a edição portuguesa de She Loves You, dos Beatles, cujo EP nacional apresentava como lado A Do You Want to Know a Secret (a primeira música dos Beatles de que gostei) e I’ll Get You. Comprei-o em Coimbra, provavelmente na Olímpio Medina, no dia 18 de Abril de 1964, tinha 16 anos. À época, o dinheiro não abundava. Mas o primeiro disco do meu ajuntamento de discos foi-me oferecido pelo meu Pai no dia 26 de Agosto de 1958, tinha acabado de fazer 11 anos: L’Edera/Nel Blu Dipinto Di Blu, da italiana Nilla Pizzi, do Festival de San Remo.

2. O filme mais marcante visto na infância e juventude
Houve vários, mas recordarei apenas quatro pelas razões que passo a explicar:
Bambi, da Walt Disney. Porquê? Porque em 2015 fiz mais uma visita a Hamburgo e lá fui ao Bambi Kino, o cinema onde os Beatles pernoitavam atrás do ecrã, nas suas deambulações pela cidade, e ao qual deitaram fogo. Lembrei-me logo, claro, do filme da minha infância.
Beau Geste, de William A. Wellman. Porquê? Por causa de uma brincadeira típica de estudante de Coimbra. Íamos sempre em grupo ao cinema. Ao Beau Geste já era a 4.ª ou 5.ª vez que o víamos, já sabíamos a história de uma ponta à outra. Há uma cena de alvorada das tropas no deserto, com o pessoal a espreguiçar-se, a bocejar e a levantar-se nas tendas. Ainda por cima, já todos a conhecíamos dos quadradinhos no Cavaleiro Andante. Numa bela sessão ao ar livre nos Bombeiros Voluntários fomos munidos de um estridente despertador que pusemos a tocar segundos antes da alvorada e do despertar dos soldados. Pusemos o cinema a rir no meio de um drama trágico.
Ben-Hur, de William Wyler. Porquê? Como já não vou ao cinema (costumo adormecer), digo sempre que o último filme que vi foi o Ben-Hur (não vai ser a resposta à pergunta 5). Sou antigo.
Os Sete Magníficos, de John Sturges. Porquê? Porque é um dos melhores filmes de cowboys de sempre. Neste Natal, época deprimente, um dos canais de televisão, acho que a FOX, voltou a passá-lo e eu voltei a chorar.

3. Um livro que tenha mudado a vida
Não creio que haja algum. Mas há um que, seguramente, me irritou profundamente: Os Lusíadas, cujas estrofes era obrigado a decorar nas aulas de Português no Liceu, excepto o Canto Nono, claro.

4. Uma série para rever
Só tive televisão muito, muito tarde. Mas delirava com Bonanza, que ia ver a casa de amigos. E antes da saga da família Ben Cartwright havia sempre os Flinstones.

5. O mais recente filme visto no cinema
Sem prejuízo da resposta à pergunta 2, o último filme que vi no cinema foi o 007. Não foi à noite (o que ajudou) e foi na antestreia (o que facilitou financeiramente). “Devia” essa à Teresa. O mais engraçado é que ganhei uma máquina de barbear de lâminas, eu que nem a barba faço!

6. A canção que mais vezes foi escutada
Hão-de ter sido várias, mas seguramente que foram dos Beatles, por exemplo, Do You Want to Know a Secret e In My Life. Mas, para não ser maçador, aponto também There’s a Heartache Following Me (Pete Townshend), More Than This (Roxy Music) e All I Need Is a Miracle (Mike and the Mechanics).

7. O livro a ser lido neste momento
Vários: António Ferro, O Inventor do Salazarismo, Orlando Raimundo, D. Quixote, 2015, Luz nos Livros, António Campos Leal, Ephemera, 2015, O Último Dia de Hitler, Jonathan Mayo e Emma Craigie, Self Desenvolvimento Pessoal Editora, 2015, e Os Camisas Azuis e Salazar, António Costa Pinto, Edições 70, 2015. Não aprecio nem romance nem ficção.

8. O músico preferido
Não tenho músico preferido, mas tenho músicos preferidos: os que formaram os Beatles e, depois, os que formaram os Oasis, os Rolling Stones, os Dave Clark Five, os Searchers, os Jesus and Mary Chain… lista (quase) infindável, mas (quase) toda de Inglaterra!

9. O autor com mais livros lidos
Não sei. O meu critério passa pelos temas e não pelos autores. Tanto quanto possa, junto tudo o que há de Beatles, 25 de Abril e Jornalismo. Acho que li tudo quanto Otelo Saraiva de Carvalho escreveu (com dedicatórias empolgantes), mas também gosto de ler (e de ouvir cantar) José Jorge Letria.

10. O mais recente concerto
Era para ter sido Belle and Sebastian no dia 12 de Novembro de 2015 no Coliseu de Lisboa, mas, como se sabe, o concerto foi cancelado. Sendo assim, o último que vi (extraordinário) foi o dos Jesus and Mary Chain no Passeio Marítimo de Algés no dia 11 de Julho. Em 2015, vi ainda Roberto Carlos no dia 14 de Maio no Pavilhão Atlântico (muito mau) e Paul McCartney (também extraordinário) no dia 23 de Maio no O2 (Londres).

11. A melhor versão de uma canção dos Beatles
Nada como os originais, mas, para não ficar uma resposta coxa, aponto Things We Said Today, não pela versão em si, mas pelo monstro sagrado que a interpretou: Bob Dylan!

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