Imprensa francesa apresenta duas grandes revistas especiais sobre David Bowie
A sempre ágil imprensa escrita francesa, que continua a dar cartas quando chega a hora de lançar edições especiais, colocou já no mercado duas revistas temáticas evocativas da obra de David Bowie. A Les Inrockuptibles assinalou a despedida no título David Bowie Immortel, numa página com um excerto da letra de Lazarus e num editorial que traduz a ideia de um adeus que não fecha o efeito da obra. A Rock & Folk apresenta um artigo sobre a obra posterior a 2010 como etapa de despedida e juntou uma página com reações à notícia da sua morte. De resto vivem sobretudo de olhares panorâmicos sobre uma obra de 54 anos na música. Ou seja, entre os Kon-Rads e o dia em que Blackstar chegou às lojas de discos.
Comecemos então por esta segunda revista até porque, como num dos planos que vemos nesta edição de 100 páginas, há uma história antiga de relacionamento da revista com Bowie, com uma galeria de capas que recua a 1973. Sob o título David Bowie Superstar – Les Archives de Rock & Folk, esta edição arruma cronologicamente os episódios e etapas da carreira que assim revisita, desde os anos 60 até ao dia em que a despedida foi inesperadamente anunciada. Pelo caminho recuperam-se textos do arquivo da Rock & Folk através dos quais recordamos uma conferência de imprensa no hotel Georges V, em Paris, por ocasião do lançamento de Aladdin Sand, uma reportagem durante a digressão Isolar 2 em finais dos anos 70 uma conversa nos dias dos Tin Machine ou uma outra, de finais dos anos 90 (que tanto traduz ecos de Velvet Goldmine como o aparecimento da Bowie Net), juntando ainda outras entrevistas de apresentação dos álbuns 1.Oustide (1995), Earthling (1997), hours (1999), Heathen (2001) e Reality (2003). O artigo sobre a obra recente e uma discografia que junta alguns singles e discos ao vivo ao rol de álbuns de estúdio, completam a edição.
A Les Inrockuptibles opta por apresentar os artigos numa arrumação temática além de juntar alguns outros numa ordem cronológica. Abre com um artigo sobre o novo disco e recupera logo depois uma extensa entrevista de 1993. Depois, traça percursos no tempo cruzando com a sua história as experiências formadoras dos que o influenciaram, recorda as metamorfoses em finais dos anos 60 e inícios de 70, a etapa vivida em Berlim, os anos do sucessos nos oitentas e noventas e o regresso após 2013. Há ainda olhares sobre os seus colaboradores recorrentes e os mais marcantes, reflexões sobre as ambiguidades que expressou na sua obra e a sua vida entre as imagens, tanto no grande ecrã como no mundo dos telediscos. Uma discografia comentada e expressões da sua presença na obra de artistas plásticos fecham esta revista especial de 100 páginas.
Por cá a revista BLITZ lançou já também uma edição especial logo na semana em que foi noticiada a sua morte. Resta agora ver se da imprensa especializada anglo-saxónica haverá também números especiais a assinalar o adeus… Para já, na edição dedicada a 1971 da revista The History of Rock vale a pena ler uma entrevista com Bowie na época em que usava grandes vestidos e gravava Hunky Dory, com ideias para outro disco logo a seguir. Era Ziggy, que vinha a caminho…

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