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11 perguntas a… João Miguel Tavares

Integra o “Governo Sombra”, da TSF e TVI, é colunista no “Público”, e hoje fala dos seus discos, filmes, livros e séries de TV.

1. O primeiro disco comprado.
Em vinil não me recordo bem. Talvez tenha sido um single dos Wham, Wake Me Up Before You Go-Go. Em CD foi o disco ao vivo de Simon & Garfunkel no Central Park (lembro-me de ficar muito desiludido com a qualidade do som). Seguido de um outro disco ao vivo: Alchemy, dos Dire Straits.

2. O filme mais marcante visto na infância.
Não tenho. Na cidade onde cresci (Portalegre) não havia cinema onde passassem filmes para miúdos. O que eu via era televisão, e portanto o meu filme mais marcante da infância é uma série de desenhos animados: Conan, O Rapaz do Futuro (vi-a duas vezes, e das duas vezes perdi o último episódio, para meu profundo desconsolo). Só muito mais tarde soube que se tratava de uma série do Hayao Miyazaki e senti-me inteligente com retroactivos.

3. Um livro que tenha mudado a vida.
Terei de responder a Bíblia. Se esse não contar, então o Corto Maltese de Hugo Pratt, onde todas as mulheres e todos os negros são inteligentíssimos. Parecendo que não, no Portugal de início dos anos 80 isso ainda era uma coisa estranha (lembrem-se do restaurador Olex: “Um preto de cabeleira loura ou um branco de carapinha não é natural”).

4. Uma série para rever.
Ver resposta 2. Já em idade mais adulta: A Balada de Hill Street, que mudou tudo na ficção televisiva americana. Para rir, há a minha santíssima trindade: Monty Python’s Flying Circus, Fawlty Towers e All in the Family.

5. O mais recente filme visto no cinema.
The Revenant: O Renascido. Óscar de Melhor Fotografia para a Mãe Natureza e de Melhor Som para os guinchos de Leonardo DiCaprio. O resto deixem estar.

6. A canção que mais vezes foi escutada.
Hallelujah, do profeta Cohen. Com The River, do mestre Springsteen, por perto. Na adolescência: Telegraph Road, dos Dire Straits, o que é tanto mais impressionante quanto a canção dura uns bons 14 minutos. Acho que ainda sei a letra de cor.

7. O livro a ser lido neste momento.
Impossível dizer. Há muito que deixei de ler um só livro a cada momento. Deixem-me olhar para os cinco títulos que estão no cimo da pilha mais à mão: O Mercador de Veneza, de William Shakespeare (Cotovia); Capilé, de Adília Lopes (Averno); Fools, Frauds and Firebrands, de Roger Scruton (Bloomsbury); As Direitas na Democracia Portuguesa, coordenado por Riccardo Marchi (Texto); Editor Contra – Fernando Ribeiro de Mello e a Afrodite, de Pedro Piedade Marques (Montag). Amanhã seriam outros, porque as pilhas têm vida própria.

8. O músico preferido.
Leonard Cohen, porque além de músico é profeta. Depois de tanta meditação judaica e budista, depois de tanta medicação e de tanta mulher, é como se tivesse conseguido passar para o outro lado do véu, e o levantasse brevemente a cada canção. Está num outro patamar. Em relação ao comum dos músicos e em relação ao comum dos mortais.

9. O autor com mais livros lidos.
Teria de ir para a banda desenhada. Não sei se Hermann, se Giraud/Moebius, se Hugo Pratt. Fora da BD, Eça de Queirós.

10. O mais recente concerto.
Já não vou a concertos há uns tempinhos. Acho que foi o “Deixem o Pimba em Paz”, do Bruno Nogueira, com a Manuela Azevedo. Sou um grande fã desse projecto. E os miúdos também.

11. Houvesse um músico ministro (como no Brasil já sucedeu), quem escolherias? E para que ministério?
Samuel Úria, para Ministro da Educação. Ensinava os putos a escrever português, a compor canções decentes, a desenhar com inteligência, a vestir à cowboy, e ainda levava um bocadinho da sua cultura calvinista para a 5 de Outubro e para o próprio Mário Nogueira, que bem precisados estão.

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