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“Mil e Uma Noites” de Miguel Gomes são mote para a “Little White Lies”

Texto: NUNO GALOPIM

O tema de capa define sempre o tom do grafismo de cada edição da muito recomendável revista inglesa de cinema “Little White Lies”. O mais recente número tomou como mote as “Mil e Uma Noites” de Miguel Gomes.

Criada em 2005, quando um grupo de profissionais de uma publicação de desportos de aventura e lifestyle que acabara de falir pegou no número zero de um projeto e o transformou numa revista, a Litte White Lies afirmou-se, entretanto, como uma das mais cativantes revistas sobre cinema do presente. Informada e inteligente na escrita, tem no design uma das suas marcas de identidade. E, todos os dois meses, o filme (ou tema) que serve de capa acaba por sugerir as opções do grafismo de todo o número (ilustrações inclusive).

Na sua mais recente edição as Mil e Uma Noites de Miguel Gomes fizeram a capa e deram o mote… E se, por hábito, a Little White Lies era já uma revista a ler agora, dois números depois de ter dado ao diretor do Queer Lisboa, João Ferreira, a tarefa de escolher 100 títulos de referência da filmografia queer, esta publicação com sede em Londres volta a dar motivos ao leitor português para verificar que o cinema que aqui se faz, pensa e programa, faz ali escutar a sua voz.

A trilogia de Miguel Gomes não só dá o mote para o aspeto das páginas como, naturalmente, serve de tema ao dossier central desta edição, que abre com uma “carta” ao realizador, por ele mesmo, enviada ao seu próprio passado, quando se preparava para rodar A Cara Que Mereces. Há depois uma entrevista a Miguel Gomes por David Jenkins, uma série de exemplos sobre casos de fronteira pouco clara entre a ficção e o documentarismo e, tomando os contos das Mil e Uma Noites como fonte de inspiração, segue-se uma galeria de casos, lugares e filmes onde, sob o título “Tales of Cinema”, se procuram casos de filmes que retratem histórias de obsessão, acidentes, jogos e mortalidade. Da recuperação de clássicos do porno ao exemplo do Cineforum de Toronto, passando por The Hottie and the Nottie, de Tom Putnam, protagonizado por Paris Hilton, há ali bons motivos de leitura. Depois seguem-se as sempre recomendáveis críticas de filmes em cartaz ou em DVD e Blu-ray, com conta peso e medida, mostrando como por vezes, com pouco, se diz muito.

PS. Para os interessados em conhecer o que a revista tem vindo a fazer vale a pena passar pelas páginas do livro What I Love About Movies, que a Little White Lies produziu em 2004, pedindo a figuras como Quentin Tarantino, Francis Ford Coppola, Ryan Gosling, Kristen Stewart ou Helen Mirren que respondessem à questão que dá título ao volume. A edição, em capa dura, pode ser encontrada com facilidade em lojas online.

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