Quando uma banda arruma as ideias…
Texto: NUNO GALOPIM
Entre a multidão de bandas que, ano após ano, vão entrando em cena para alimentar o (hoje vasto) universo indie rock com discos, concertos e canções que cumprem mínimos olímpicos mas em nada se destacam das demais suas contemporâneas, os nova-iorquinos Parquet Courts pouco mais levantaram, no passado, do que a curiosidade estimulada por alguns textos entusiasmados de quem segue a coisa de perto e assinalou com aplausos as edições de álbuns como Light Up Gold (2012) e Sunbathing Animal (2014), respetivamente o segundo e terceiro da discografia da banda. Havia ali algumas canções interessantes, uma busca de raízes entre heranças do punk e da genética “alternativa” lançada em finais de sessenta pelos Velvet Underground… Mas, até aqui, nenhum momento parecia justificar atenção maior. E quando, em finais de 2015, fizeram do EP Monastic Living o palco para lançar ensaios mais experimentais, cruzando caminhos mais próximos da carga primordial da liberdade punk com uma curiosidade pelos ecos do krautrock, a coisa parecia destinada a ir a lado nenhum. Mas eis que, menos de meio ano depois, colocam em cena um álbum onde optam antes por arrumar as ideias, projetando opções estilísticas mais aprumadas sobre a sua mais inspirada coleção de canções. Valeu, em primeiro lugar, a belíssima capa que convidou os ouvidos a escutar o que nela guardava.
Se tematicamente as canções mantém um olhar em volta da personalidade do vocalista Anderw Savage, do seu quotidiano e reflexões sobre o mundo ao seu redor, também na música, na verdade não há mudanças substanciais no que escutamos em Human Performance face ao que os Parquet Courts haviam já explorado nos seus primeiros discos. A escola punk ainda está presente (como se escuta em I Was Just Here, Pathos Prarie ou Two Dead Cops). Porém está mais evidente do que nunca a busca de um aprumar da escrita de canções na linha das heranças de uns Pavement ou da face mais melodista de uns Sonic Youth, mantendo firme a presença tutelar dos Velvet Underground (os diálogos de canto e voz falada não deixando nunca esquecer as lições primordiais de um Lou Reed).
A arrumação das ideias transporta porém algumas das canções dos Parquet Courts para caminhos de linhas mais claras como, por exemplo, os Go Betweens em tempos tão bem fizeram (escute-se o tema-título ou as plácidas It’s Gonna Happen ou Steady on My Mind para reparar nesse campo de eventuais afinidades)… A supresa maior chega na faixa exclusiva para plataformas digitais – Already Dead – outro desses exemplos de busca de frestas de uma luminosidade diferente, que podem projetar caminhos a aprofundar num próximo disco.
Parquet Courts
“Human
Rough Trade / Popstock
★★★★


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