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Um sonho feito de recordações

Texto: RUI ALVES DE SOUSA

“Memórias de Marnie”, de Hiromasa Yonebayashi, que foi o grande vencedor da edição deste ano da Monstra, chega hoje aos ecrãs portugueses. O Filme é anunciado como sendo o derradeiro dos estúdios Ghibli.

O novo (e anunciado como o derradeiro) filme dos estúdios Ghibli, do realizador d’ O Mundo Secreto de Arriety, estreou-se há poucas semanas na Monstra e de lá saiu com o Grande Prémio da competição de longas-metragens. Tem uma história lindíssima sobre a memória e a amizade, em que os fantasmas e as mágoas da existência têm um papel fulcral. Voltamos a um sentimentalismo que, de certa forma, tem algo de telenovela na sua estrutura, algo que tem sido comum em certos filmes mais recentes do estúdio, como A Colina das Papoilas. No entanto, com tanto material comovente incluído nas imagens, na música e nas vozes, é impossível que alguém consiga ficar indiferente a Memórias de Marnie. São emoções que não causam feridas, mas marcas profundas que permanecerão na memória dos espectadores.

A animação é excecional, com a qualidade que os estúdios Ghibli nos foram habituando ao longo das décadas. Yonebayashi mostra, mais uma vez, como é um nome relevante para o panorama atual da animação japonesa. Um cineasta da sensibilidade, com um espírito comovente ímpar, que lida com histórias que, por mais fantasia e surrealismo que possam conter, lidam com o que de mais humano existe no cinema: as relações familiares, os traumas, as recordações, a capacidade de perdoar e recuperar o que parece ter sido extinto das nossas vidas. Memórias de Marnie ganha porque, apesar da sua narrativa andar entre altos e baixos mais ou menos constantes (e a revelação da intriga não precisava de ser tão extensivamente analisada), nunca se perde nem deixa de querer alcançar um objetivo muito preciso: um retrato fascinante e apaixonante das ligações entre passado e presente, e do constante conflito entre gerações, comum a todas as épocas históricas.

 

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