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Para que um segredo bem guardado o deixe de ser

Texto: NUNO GALOPIM

Inaugura hoje no Grand Palais, em Paris, uma grande exposição que apresenta a obra do pintor Amadeo de Souza-Cardoso como o segredo mais bem guardado da arte moderna.

Integrada na programação que assinala os 50 anos da delegação da Fundação Gulbenkian em Paris, uma grande exposição leva duas centenas de obras de Amadeo de Souza-Cardoso à capital francesa, apresentando-o como “o segredo mais bem guardado na arte moderna”.

A exposição, que abre hoje as portas e fica patente no Grand Palais até 18 de julho, junta ainda a obras do pintou outras de alguns outros autores do seu círculo próximo como Brancusi, Modigliani, Robert e Sonia Delaunay.
A exposição foca duas etapas decisivas na obra de Amadeo: aquela em que viveu em Paris, entre 1906 e 1914, durante a qual se afirmou como uma figura ímpar da vanguarda modernista, e, depois, a que assinalou o seu regresso à sua terra Natal, Manhufe, de 1914 a 1918. A sua morte, aos 30 anos, no final da I Guerra Mundial, terá talvez sido um dos motivos centrais pelos quais a sua consagração internacional não se concretizou.

Cabe por isso a esta exposição o desafio de o retirar do estatuto de relativo esquecimento no qual o seu nome e obra caíram (para lá das nossas fronteiras).

A exposição tem como curadora Helena e Freitas, coordenadora do catálogo raisonné de Amadeo de Souza-Cardoso e responsável pela exposição Diálogo de Vanguardas que a Gulbenkian apresentou em 2006. No mais recente boletim informativo da Fundação Gulbenkian, a curadora, em entrevista, recorda que “Amadeo já tinha exposto no Grand Palais em 1912, no contexto do X Salão de Outono, onde apresentou Avant La Corrida, hoje na coleção do Museu Calouste Gulbenkian”, sendo essa “a última exposição realizada em Paris em vida do artista”.

Sobre a capacidade desta exposição poder dar a Amadeo a visibilidade internacional que a sua obra há muito merece, a curadora observa, na mesma entrevista, que esta se realiza no Grand Palais, “um espaço destinado à apresentação de artistas consagrados, nas salas onde foram recentemente expostas obras de Velázquez e Picasso”, concordando que, de facto, a obra do artista “se manteve invisível durante largas décadas”. Falando, depois, sobre como se resgata um artista ao esquecimento, explica que se pode promover “através da sua exposição e divulgação” e também “de uma estratégia de internacionalização coerente e eficaz”. Esta exposição, em concreto garantiu já “o estudo da obra de Amadeo por historiadores de arte internacionais que contribuíram com ensaios para o catálogo”.


“Procissão Corpus Christi” (1913)


“O Salto do Coelho” (1911)


“Cozinha da Casa de Manhufe” (1913)

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