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Quando a música cheira a férias

Texto: DANIEL BARRADAS

Agora que vem aí o sol, eis um álbum finlandês que é perfeito para levar para o campo ou para a praia.

Lembram-se de ser crianças, de não saber inglês mas mesmo assim curtir absolutamente uma canção e cantá-la sem rédeas a plenos pulmões? Ou as canções dos créditos dos desenhos animados japoneses… Ainda sabem cantar alguma dessas?

(pausa para irem ao YouTube desencantar a vossa abertura de desenho animado favorita)

Quando é que a língua de uma canção passa a ser entrave para se desfrutar da música? Teoricamente, nunca, mas nós bem sabemos que o fluxo de música que passa pelo mundo não é tão cego às barreiras culturais como poderia ser.

O álbum de que vos venho falar é um perfeito exemplo de música que salta fronteiras com a agilidade de um canguru. Soita mulle, da finlandesa Regina, tem sido a banda sonora favorita para os meus verões desde que saiu em 2011. Ou seja, tive cinco anos para descobrir o que está por trás destas canções… mas não me ralei. Acreditem que só sei uma palavra de finlandês (kiitos = obrigado). Mas sei cantar as suas nove canções do princípio ao fim. As sua sílabas e vogais são como morangos maduros na minha boca. Se calhar até me safava num karaoke em Helsínquia (depois de uns copos). Sei-as tão bem como sei o genérico de Conan, o rapaz do futuro. Mas sobre este disco, ou a própria Regina sei muito pouco.

Quando pensei em escrever sobre este disco, para o dar a descobrir a vocês, o meu primeiro impulso foi ir investigar para saber alguma coisa. Mas depois contive-me, com um bocadinho de medo de ir estragar a minha perfeita e deliciosa ignorância. E depois de pensar sobre o assunto, acho perfeitamente válido falar de uma coisa sobre a qual sei muito pouco. Afinal de contas há tanta gente a fazer isso diariamente, a toda a hora, aqui na internet…

Fiquemo-nos pelo que sei:

Ora então ele há uma menina finlandesa chamada Regina (que para mim é nome de chocolate) que em 2011 fez um disco chamado Soita mulle. Encontram-se outros discos dela no Spotify mas este é o melhor. Tão bom que me dei ao trabalho de o comprar em vinil (e não foi fácil de achar!). Mas afinal é um bocadito frustrante nesse formato porque é um álbum duplo a 45 rotações e eu gosto é de o ouvir de uma assentada como quem pega numa mão cheia de smarties e enche a boca.

Depois, também não é um disco que eu ouça em casa. É perfeito é para ouvir a caminho da praia, a pedalar numa bicicleta como aqueles espanholitos da série Verão Azul. É perfeito para aqueles momentos em que nos queremos sentir como as heroínas de uma animação do senhor Myazaki, naqueles momentos em que se encontram com a natureza e saem a correr pelos campos floridos e os céus têm nuvem e passarinhos.

Mas pelos meus exemplos, não julguem que é música infantil. Há uma nostalgia que perpassa por aqui que é aquela delícia de estar ligeiramente triste com o passado ou o futuro mas perfeitamente satisfeito com o presente. Ouça-se Ui mun luo deitado ao sol para se sentir isso, misturado com a sensualidade que a voz de Regina empresta a essas três sílabazinhas do título. Que raio querem dizer? Não estou minimamente preocupado em saber. É o prazer de poder projectar na música o que se quiser.

Que mais sei? A capa do disco tem uma foto a preto e branco de um casal deitado ao sol como se não tivesse uma preocupação no mundo. Estão ali, estão bem, não vão a lado nenhum. É mesmo isso.

Depois há este video:

Suponho que esta seja a Regina que vai para o campo com uns amigos fazer um piquenique. O tempo não está lá grande coisa (é a Finlândia, afinal de contas) mas eles parecem divertir-se com pouco e até levam um ananás para a beira-mar.

E há também este:

Que é basicamente uma miúda que sai de casa e vai para a praia (ou o equivalente finlandês à praia) e dá um mergulho. Perfeito também, mas deixa-me a dúvida sobre se afinal não será esta a verdadeira Regina. Esta é loura, ao do outro video era mais morena…

Mas esperem, há mais este video:

Outra vez a mesma loira a ir a outra “praia”. Desta vez vai com um colchão e tenta flutuar nas ondinhas daquele lago. O que me lembra que este disco é precisamente a banda sonora ideal para flutuar em colchões insufláveis. Mas a rapariga cai à água! Ainda bem que não tinha levado os auscultadores e o iPod como eu faria. Esta miúda é uma querida mas um bocadito desastrada. Por desempate, se calhar a verdadeira Regina é esta. Ou se calhar é ela nos três vídeos mas com penteados diferentes… enfim… quem se rala?

O que importa é que este disco é uma delícia. Descubram-no, tornem-o vosso. Façam piqueniques com ananases, e levem-no para a praia.

Regina
“Soita mulle”
Joanna Kustannus oy

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