Três filmes sobre tragédias no monte Evereste
Seleção e textos: NUNO GALOPIM
Nos últimos anos a temporada dos amantes do montanhismo com o Evereste na agenda tem assistido a notícias trágicas. Apenas acessível em maio, quando a meteorologia é mais favorável, o pico mais alto do mundo tem vindo a conhecer um cada vez mais numeroso volume de visitantes. Este aumento, que por um lado alimenta a economia local, desde o pagamento da cara licença para escalar e do recurso aos equipamentos turísticos, não esquecendo depois guias e material rumo à montanha, por outro propicia também uma maior probabilidade não apenas de “engarrafamentos” (como um que deu notícia, há não muito tempo, no Hillary Step, a estreita passagem que precede a escalada ao topo do Evereste) mas de acidentes. 2014 e 2015 foram temporadas assobradas por acontecimentos trágicos, com avalanches e derrocadas que ceifaram vítimas. Este ano há, uma vez mais, notícias a chegar de mortes na montanha mais alta do mundo. Factos que levantam as vozes críticas sobre a necessidade de um maior controlo sobre os acessos. E sobre o grau de preparação das equipas que conduzem as expedições.
O cinema já visitou por várias vezes o Evereste. E notou, quer em ficções como em documentários, como aquele é, de facto, um lugar a encarar com respeito, cautela e preparação. Ficam aqui três exemplos de filmes que observaram tragédias naquele lugar. Um deles bem antigo. O outro uma ficção recente. E ainda um documentário que olha de perto não os turistas, mas aqueles que ali vivem e trabalham para os servir.
“Epic of Everest”, de J. B. L. Noel (1924)
Recentemente restaurado pelo British Film Institute, este documentário recorda a expedição dos montanhistas britânicos George Mallory e Andrew Irvine, que tentaram uma abordagem à montanha pela sua face norte, e da qual não regressaram (o corpo de Mallory seria encontrado por uma expedição em 1999).
“Everest”, de Baltasar Kormákur (2015)
Com evidentes vitaminas de filme-catástrofe e usando um elenco com figuras de renome, o filme é realista na forma de retratar as condições de vida na alta montanha, assim como observa a paisagem que é outro dos seus trunfos maiores. O filme á baseado em factos reais envolvendo acontecimentos trágicos ocorridos ali em 1996.
“Sherpa”, de Jennifer Peedom (2015)
Um documentário bem recente que toma como ponto de partida o acidente que tirou a vida a vários sherpas em 2014. A realizadora procurou conhecer melhor aqueles que há muito acompanham as expedições de estrangeiros às suas montanhas, notando não apenas o seu esforço e dedicação, mas também as condições laborais em que fazem o seu ofício.

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