Furacão Clarice
Texto: NUNO CARVALHO
Clarice Lispector disse que “verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo” e que enquanto tivesse perguntas e não houvesse respostas continuaria a escrever. Para a escritora brasileira escrever foi afinal uma forma de não desistir de si mesma – e também no sentido literal da expressão, porque muita da sua produção literária é uma escrita do íntimo. Como refere o escritor norte-americano Benjamin Moser, seu biógrafo, na introdução a este volume que recolhe todos os contos da autora, “a sua força teria sido consideravelmente menor se [este livro] fosse uma expressão ideológica, em vez de um resultado natural das experiências da autora”. Experiências essas com que Lispector erige uma obra que, de acordo com a citação da Time que figura na contracapa desta edição, “redefine o expoente máximo do que é um autor transformar o mundano em filosofia”.
“Todos os Contos”
Clarice Lispector
Relógio d’Água, 547 pp.

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