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Furacão Clarice

Texto: NUNO CARVALHO

A Relógio d’Água acaba de publicar “Todos os Contos”, um volume de mais de quinhentas páginas que junta a integral da obra em conto da escritora e jornalista Clarice Lispector, nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira.

Clarice Lispector disse que “verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesmo” e que enquanto tivesse perguntas e não houvesse respostas continuaria a escrever. Para a escritora brasileira escrever foi afinal uma forma de não desistir de si mesma – e também no sentido literal da expressão, porque muita da sua produção literária é uma escrita do íntimo. Como refere o escritor norte-americano Benjamin Moser, seu biógrafo, na introdução a este volume que recolhe todos os contos da autora, “a sua força teria sido consideravelmente menor se [este livro] fosse uma expressão ideológica, em vez de um resultado natural das experiências da autora”. Experiências essas com que Lispector erige uma obra que, de acordo com a citação da Time que figura na contracapa desta edição, “redefine o expoente máximo do que é um autor transformar o mundano em filosofia”.

“Todos os Contos”
Clarice Lispector
Relógio d’Água, 547 pp.

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