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Um piano com vida própria

Texto: JOÃO PATRÍCIO

Em dois concertos, Yann Tiersen encheu o Coliseu dos Recreios com o seu vasto repertório, que se estende por muito mais do que a sonoridade que acompanha a banda sonora do filme “O Fabuloso Destino de Amelie”.

Às primeiras notas que saem do piano de Yann Tiersen é impossível não sentir arrepios. Durante toda a atuação, nem uma nota ao lado destoa a música tocada pelo músico francês. Foi com esta perícia que Tiersen conquistou o público português, em atuações que contaram não só com a companhia do piano mas também de um violino e um par de pequenos pianos.

Como seria de esperar, o momento que abriu o concerto estava ligado a EUSA, o mais recente álbum de Yann Tiersen. Um gravador de rolo acompanha o piano com vários sons de fundo. Desde ecos a sons do mar, o ouvinte conseguiu ser transportado para uma série de cenários idílicos, relacionados com a ilha Ushant, que inspirara o músico na composição do álbum.

Uma vez desligado o gravador, uma luz azul tomou o palco e virou a página no espetáculo. A partir de então o concerto deixa de se centrar no piano, passando agora por um circuito que se estende pelo violino e pelos dois pequenos pianos junto dos quais o músico se ajoelhava.

Foi impossível não sentir a tristeza de Lok Gweltaz, a candura de La Valse des Monstres tocada nos pequenos pianos, ou mesmo o ritmo frenético de The Old Man Still Want It.

Para preencher as expectativas de muitos, houve espaço para um pouco de Amelie. A última música antes do encore foi precisamente Le Moulin. Os segundos iniciais de melódica foram suficientes para encher os corações do público e para o fazer soltar um forte aplauso.

Tal como prometido, o concerto desenrolou-se de facto num ambiente intimista, com um Yann Tiersen simpático mas de poucas palavras para com o público, como se a sua música transmitisse muito mais do que um mero diálogo. Durante cerca de quatro horas de espetáculo, Tiersen maravilhou Lisboa, com duas atuações que certamente poucos esquecerão.

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