Uma rã e um mangusto em dois contos exemplares
Texto: NUNO CARVALHO
Este título da coleção Livros Amarelos, “que dá a ler o diálogo entre ensaios, contos, poemas e novelas”, junta os contos A Célebre Rã Saltadora do Condado de Calaveras, de Mark Twain, e Rikki-Tikki-Tavi, de Rudyard Kipling. São ambos contos exemplares, sendo os seus protagonistas animais.
No caso do conto de Twain, que teve primeira publicação em 1865 no The New York Saturday Press e que constituiu uma das estreias mais bem-sucedidas da história da literatura americana, tendo em pouco meses transformado o escritor numa celebridade nacional, esse animal é, como o título sugere, uma rã. Uma rã protagonista de uma narrativa “marcada por uma viva ironia” que teve como ponto de partida uma história ouvida a um barman. No caso do conto do escritor anglo-indiano, a história centra-se num mangusto e inspira-se numa fábula indiana sobre uma injustiça terrível.
No ensaio que acompanha os contos, de Manuel S. Fonseca, resume-se essa fábula: “A lenda chama-se ‘O Fiel Mangusto e a Mulher do Camponês’ e é de um dramatismo angustiante: um mangusto fica a guardar o filho de uma camponesa e morde e mata uma insidiosa cobra que invade o quarto do menino. A mulher regressa e vê o ufano mangusto a exibir a boca cheia de sangue. Conjectura o pior e, de raiva e dor, tira-lhe a vida, correndo para o quarto onde descobre o seu bebé são e salvo, a hedionda cobra estraçalhada e morta ao lado do berço.”
Esta edição bilingue inclui ainda duas notas biográficas também por Manuel S. Fonseca. A tradução é de Antonio Rodrigues.
A Célebre Rã Saltadora do Condado de Calaveras/Rikki-Tikki-Tavi
Mark Twain e Rudyard Kipling
Ed. Guerra & Paz
166 pp.

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